Sustentabilidade Archives - PDG Brasil https://perfectdailygrind.com/pt/category/sustentabilidade/ Revista digital sobre café, da fazenda à xícara Mon, 29 Apr 2024 20:54:08 +0000 pt-BR hourly 1 https://perfectdailygrind.com/pt/wp-content/uploads/sites/5/2020/02/cropped-pdgbr-icon-32x32.png Sustentabilidade Archives - PDG Brasil https://perfectdailygrind.com/pt/category/sustentabilidade/ 32 32 Consumidor: cinco ideias para reaproveitar resíduos do seu café https://perfectdailygrind.com/pt/2024/04/29/residuos-borra-cafe/ Mon, 29 Apr 2024 07:03:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=14219 Para muitos, beber café todos os dias faz parte da rotina. Mas o que fazer com os resíduos resultantes desse processo? A borra, que é o pó usado após coar o café, pode ter diversas aplicações além do descarte no lixo comum.  Com a ajuda de especialistas, compilamos uma lista de diferentes maneiras de aproveitar […]

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Para muitos, beber café todos os dias faz parte da rotina. Mas o que fazer com os resíduos resultantes desse processo? A borra, que é o pó usado após coar o café, pode ter diversas aplicações além do descarte no lixo comum. 

Com a ajuda de especialistas, compilamos uma lista de diferentes maneiras de aproveitar esse subproduto, desde usos agronômicos até artísticos. Continue lendo para descobrir todas as possibilidades.

Leia também: Fertilização e fabricação de fertilizantes orgânicos a partir de plantas

Por que é importante reaproveitar esses resíduos?

A indústria do café, como muitas outras, enfrenta desafios ambientais significativos. Apenas 5% do peso total das cerejas é utilizada para fazer uma xícara da bebida, deixando uma quantidade considerável de resíduos.

Produtores, torrefadores e consumidores estão cada vez mais conscientes da importância de contribuir para a sustentabilidade ambiental do setor, evitando que esses resíduos acabem em aterros sanitários ou poluam rios.

Dolores del Castillo, pesquisadora do Conselho Superior de Pesquisa Científica da Espanha, destaca que transformar esses resíduos em novos produtos é essencial para reduzir a pegada ambiental da indústria e promover uma abordagem de desperdício zero. “Não é adequado descartar produtos orgânicos nos rios ou no meio ambiente, causando poluição. O ideal é valorizá-los, convertendo-os em novos produtos lucrativos”, ela diz.

Além disso, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação (FAO) destaca a importância de hierarquizar o uso de subprodutos alimentares, com a incineração sendo a opção menos recomendada. Em contrapartida, usos industriais, alimentação animal, compostagem e fertilizantes são considerados as melhores alternativas para o aproveitamento dos resíduos.

Quais outros resíduos são gerados no preparo do café

Ao preparar café, cada método resulta em diferentes tipos de resíduos. Por exemplo, com a prensa francesa, o pó de café pode ser reutilizado para uma segunda infusão. Já com métodos de filtragem por gotejamento, como V60, Chemex ou Kalita, surgem dois tipos de resíduos: a borra de café e o filtro.

Dolores destaca que há muitas opções de segunda aplicação para os filtros de café. Por serem absorventes e sem fiapos, eles são reutilizados como toalhas demaquilantes, absorventes de óleo de frituras, ou até mesmo para limpeza de vidros e espelhos. 

Além disso, funcionam como recipientes para ambientadores naturais ou filtros para preparar bebidas alternativas como sucos e chás. Amaia Iriondo De Hond, pesquisadora de pós-doutorado, ressalta a possibilidade de lavar, secar e reutilizar os próprios filtros.

No entanto, as cápsulas ou doses únicas usadas em máquinas automatizadas representam um desafio ambiental significativo. Na Espanha, milhões de cápsulas são utilizadas diariamente. Algumas empresas, como a Nespresso, oferecem programas de reciclagem, mas nem todos os consumidores ao redor do globo têm acesso a eles.

Diante desse cenário, muitos têm buscado maneiras criativas de reutilizar as cápsulas, transformando-as em artesanato, como cortinas, chaveiros, vasos de flores e brinquedos. Essa abordagem demonstra como é possível aproveitar as características únicas das cápsulas para criar produtos úteis e decorativos.

Os diferentes usos dos resíduos de café

Segundo a pesquisa “Conscientização Ambiental sobre Usos Alternativos da Borra de Café”, conduzida pela Universidade de Antioquia em 2019, cada xícara de café produz cerca de 30 gramas de borra.

Além disso, a borra de café é rica em compostos orgânicos, como fibra alimentar (47%), gordura (24%), polissacarídeos (13%) e proteínas (11%). Esses componentes oferecem diversas possibilidades de reutilização, dispensando aditivos químicos ou custos extras.

Fertilizantes para plantas

Fabiola Serrano Jiménez, barista há oito anos, diz que, em geral, os resíduos resultantes de seus preparos tendem a ir parar em seu jardim como fertilizante para as plantas. “O solo melhora muito e as plantas ficam muito mais verdes e maiores”, descreve.

Esse é um dos usos mais comuns para a borra de café, já que ela contém minerais e nutrientes essenciais, como nitrogênio, potássio, cálcio e magnésio, que enriquecem o solo. Para transformar a borra de café em adubo orgânico, é recomendável espalhá-la sobre uma superfície plana e deixar secando por cerca de 24h, garantindo uma secagem uniforme e prevenindo o crescimento de fungos.

Ao aplicar a borra de café como cobertura morta, é importante não exagerar na quantidade, pois o uso excessivo pode acidificar o solo, prejudicando o crescimento das plantas, especialmente nas bordas e extremidades das folhas. Uma alternativa segura é combinar a borra de café com composto orgânico, ajudando a neutralizar quaisquer riscos que as plantas possam enfrentar apenas com a aplicação do resíduo de café.

Além disso, a borra também serve como repelente natural para formigas, caracóis e lesmas. Basta espalhar a mistura ao redor da planta em um formato circular para manter essas pragas afastadas.

Esfoliante de pele

Às vezes, a pele enfrenta desafios devido à exposição solar, poluição e outros fatores. Felizmente, o café oferece uma solução natural, graças às suas propriedades antioxidantes, emolientes e hidratantes. Uma esfoliação à base de café não apenas limpa e cuida da pele, mas também remove células mortas, melhora a circulação sanguínea, reduz a celulite e retarda o envelhecimento.

A preparação deste esfoliante é rápida e fácil. Basta misturar uma colher de sopa de borra de café com uma quantidade equivalente de creme hidratante, mel, óleos naturais ou água até obter uma pasta homogênea.

Para quem tem pele mista ou oleosa, é aconselhável usar o esfoliante uma vez por semana. Já para peles secas, recomenda-se não exceder duas aplicações por mês, com um intervalo de 15 dias entre cada uma.

Purificador de ar

O cheiro forte do café ajuda a neutralizar aromas incômodos que acabam invadindo as casas. Você só precisa de um recipiente descoberto e uma quantidade de grãos secos e moídos para se livrar dos maus odores. Outra opção é aplicar uma porção da borra no fundo da cesta de lixo.

Ao cozinhar alimentos com odores fortes como cebola, peixe ou alho, provavelmente água e sabão não serão suficientes para remover o cheiro completamente. Nesse caso, a borra de café pode ser o plano B. Basta esfregar as mãos com ela e enxaguar com bastante água.

Criações artísticas

As tintas não são a única substância usada na arte. Pode-se usar gotas de café para moldar criações artísticas. Esse resíduo é útil em telas inéditas como cerâmicas, chapas, madeiras e até folhas secas. Um exemplo é o artista Ghidaq al-Nizar, que usa duas colheres de café reciclado para cada obra de arte.

As moléculas de melanoidina estão presentes no café e são responsáveis por produzir o tom marrom do grão moído. Esse pigmento tem potencial para tingir tecidos, fios ou móveis, diz Dolores.

Uso da Borra na alimentação

Dolores alerta que antes de usar a borra nas aplicações anteriores, o melhor destino que se pode dar a ela é o organismo humano. “A melhor coisa que você pode fazer é comê-la. Indica-se sua ingestão para pessoas com falta de fibra alimentar, essencial sobretudo para estimular o crescimento da flora microbiana que tem um efeito positivo na nossa saúde”, explica.

“O fato de organizações reguladoras internacionais, incluindo a Agência Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e a Food and Drug Administration (FDA), considerarem que se pode usar a borra como ingrediente alimentar é um impulso para a sustentabilidade do sector cafeeiro e a diversificação e rentabilidade”, destaca Dolores.

Sugestão de uso

Após uma longa investigação, o grupo formado por Amaia e Dolores verificou que a borra de café é uma fonte natural de fibra antioxidante, aminoácidos essenciais e açúcares de baixo índice glicêmico, que servem como ingrediente alimentar em produtos de panificação e confeitaria. Posteriormente, desenvolveram uma receita de biscoito que utiliza borra de café como matéria-prima. 

Esta receita, patenteada, tem elevada densidade nutricional e ajuda a reduzir o risco de contrair doenças crônicas, como obesidade e diabetes, e a adormecer mais facilmente, explica Amaia. É possível utilizar borra de café que se obtém a partir de diferentes métodos de preparo ou até mesmo café solúvel. Em qualquer caso, deve estar seca. Para retirar a água mais rapidamente, pode-se secar no forno em temperatura acima de 185 °C e guardar em local fresco.

Muitos atores na cadeia de valor do café estão preocupados em reduzir o seu impacto ambiental através da implementação de melhores práticas . Agora é a vez do consumidor.

Muitos atores na cadeia de valor do café estão preocupados em reduzir o seu impacto ambiental com a implementação de melhores práticas. Agora é a vez do consumidor.

Para além dos usos domésticos que se pode dar aos filtros, também é possível usar esse subproduto como matéria-prima em diversas indústrias que contribuem para a diversificação do rendimento das cafeterias. E são elas que normalmente fornecem estes resíduos às empresas.

Para reaproveitar esse subproduto não é necessário incorrer em despesas ou produtos de difícil acesso, depende mais da criatividade e do empoderamento dos consumidores para que esses resíduos não acabem no lixo.

Gostou deste artigo? Então leia sobre qual método de filtragem é melhor para você. Quatro anos depois

Créditos das fotos: Tatiana Guerrero.

PDG Brasil

Traduzido por Diego Oliveira

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Por que os produtores de café precisam de melhor acesso à tecnologia para atingir metas de emissões de carbono? https://perfectdailygrind.com/pt/2024/04/19/yara-champer-emissoes-cafe/ Fri, 19 Apr 2024 07:02:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=14186 Para garantir um futuro sustentável para a indústria do café, reduzir as emissões de carbono é essencial. Embora todos os níveis da cadeia de suprimentos produzam emissões — de torrefações ao transporte de café — o foco geralmente está nas fazendas de café. Muitos concordariam que nunca foi tão importante minimizar o impacto ambiental da […]

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Para garantir um futuro sustentável para a indústria do café, reduzir as emissões de carbono é essencial. Embora todos os níveis da cadeia de suprimentos produzam emissões — de torrefações ao transporte de café — o foco geralmente está nas fazendas de café. Muitos concordariam que nunca foi tão importante minimizar o impacto ambiental da produção de café. Em janeiro de 2024, o serviço climático da União Europeia informou que o ano anterior foi o mais quente já registrado — impulsionado pelas mudanças climáticas induzidas pelo homem.

O aumento das temperaturas do ar e do mar, bem como padrões climáticos imprevisíveis e chuvas mais irregulares, certamente afetarão os produtores de café de maneiras cada vez mais desafiadoras. E com a crescente pressão para reduzir as emissões de carbono nas fazendas de café, a indústria precisa apoiar os produtores o máximo possível.

A tecnologia desempenha um papel fundamental nisso, e os cafeicultores precisam de um melhor acesso se quiserem cumprir as metas de emissões. Para saber mais, conversei com João Moraes, Tizita Sileshi e Miguel Amado, da fabricante de fertilizantes sustentáveis e empresa de soluções de nutrição agrícola, Yara. Continue lendo para obter mais sobre eles.

Você também pode gostar do nosso artigo sobre por que a saúde do solo é crucial para a agricultura regenerativa na produção de café.

A crescente necessidade de reduzir as emissões de carbono na produção de café

A crise climática representa uma séria ameaça para a produção global de café e para os meios de subsistência dos agricultores que dependem dela. Estudos recentes alertam para os impactos adversos das mudanças climáticas na cafeicultura, prevendo uma redução na produtividade e na qualidade do café devido a choques climáticos contínuos.

Os agricultores em todo o Cinturão do Grão, já estão enfrentando os efeitos das mudanças climáticas, incluindo padrões climáticos mais erráticos. Para garantir a sustentabilidade da indústria do café, é crucial que medidas sejam tomadas para reduzir o impacto ambiental da produção de café, particularmente no nível das fazendas.

Tizita Sileshi, diretora de cadeia alimentar e sustentabilidade da Yara Americas, destaca a importância de reduzir as emissões de carbono na cadeia de fornecimento de café. “À medida que o consumo global de café aumenta, a pressão sobre habitats e florestas se intensifica — enfatizando a necessidade urgente de adotar uma produção sustentável”, diz ela. 

Além disso, as mudanças climáticas estão projetadas para impactar negativamente a produção global de café, com reduções na produtividade e alterações na adequação da terra para o cultivo. Estudos indicam que até metade das terras usadas para o cultivo de café de alta qualidade podem se tornar improdutivas até 2050, o que teria consequências devastadoras para a indústria.

“A pegada de carbono do café é substancial, com a produção contribuindo com mais da metade das emissões da cadeia de suprimentos, principalmente devido ao uso de água e fertilizantes”, diz Tizita. “A redução das emissões de carbono tornou-se uma prioridade crítica para mitigar o impacto no planeta e garantir um futuro mais sustentável para o cultivo e consumo de café.”

O acesso à tecnologia é fundamental para reduzir as emissões

A implementação de práticas sustentáveis nas fazendas de café já está ocorrendo em muitos países produtores, com resultados significativos. No entanto, sem acesso à tecnologia adequada para monitorar o verdadeiro impacto dessas medidas, os produtores podem ter dificuldade em entender como podem fazer melhorias adicionais.

Miguel Amado, diretor latino-americano de Inovação, Marketing e Excelência Empresarial da Yara, destaca que a tecnologia desempenha um papel fundamental no avanço dos esforços de sustentabilidade no café. “Tecnologia é crucial para desenvolver alternativas de insumos agrícolas de baixo carbono e para melhorar as decisões de gestão agrícola nas fazendas, permitindo a transição de modelos reativos para modelos preditivos”, diz.

A gestão agrícola reativa envolve a implementação de práticas em resposta a mudanças que já ocorreram, enquanto a gestão agrícola preditiva prevê e evita problemas antes que ocorram. João Moraes, diretor de novos negócios Ag na Yara Americas, destaca a importância da coleta e análise de dados, enfatizando que eles são essenciais para a sustentabilidade. “Com as emissões de carbono medidas por quilograma de café, a identificação de lacunas na produção ajuda a impulsionar a implementação de percepções e recomendações acionáveis com base na ciência e na pesquisa.

“Medir e relatar ao longo do tempo é fundamental para alcançar excelentes resultados e fornecer às partes interessadas da cadeia de valor visibilidade sobre seus principais indicadores de desempenho de sustentabilidade e compromissos com os consumidores”, acrescenta.

Apoio aos produtores através da melhoria do acesso à tecnologia

Nos últimos anos, houve melhorias significativas no acesso à tecnologia para os produtores de café em todo o mundo. E isso vem facilitando a conexão deles com os consumidores. No entanto, ainda há muito a ser feito para fortalecer esforços sustentáveis na cadeia de produção e reduzir as emissões de carbono nas fazendas de café.

“Para reduzir as emissões de carbono nas fazendas, precisamos integrar tecnologia e recursos financeiros em programas robustos de extensão agrícola”, diz Miguel. “Esses processos geralmente exigem mudanças drásticas, onde o apoio contínuo para acompanhar os agricultores desempenha um papel fundamental na obtenção do impacto necessário.”

Para que os produtores de qualquer porte implementem essas mudanças em suas práticas agrícolas, eles precisam de apoio de outros agentes da cadeia de suprimentos. “A jornada de descarbonização começa com o bem-estar, a dignidade e a prosperidade dos agricultores”, explica João. 

“A grande maioria dos produtores precisa de mais apoio técnico e financeiro. E o principal impulsionador da descarbonização da produção de café é aumentar a produtividade e a qualidade. Isso está ligado à melhoria do acesso à tecnologia, para podermos identificar lacunas de produção e ajudar os agricultores na transição para práticas agrícolas mais regenerativas. E assim tornar seus negócios mais lucrativos”, acrescenta.

Ter conhecimento (e informação) é ter poder

O apoio à coleta e análise de dados na produção de café desempenha um papel crucial na melhoria das práticas sustentáveis. Tizita destaca a plataforma Champer da Yara, que será lançada oficialmente na Specialty Coffee Expo 2024, como uma ferramenta essencial para promover a transparência na cadeia de suprimentos de café.

“A ideia por trás da plataforma Champer é melhorar a transparência”, diz ela. “Alguns agricultores estão fazendo o investimento necessário, entregando bons rendimentos e produzindo café de qualidade, enquanto outros precisam de mais apoio para mudar suas práticas. Queremos melhorar a visibilidade na cadeia de suprimentos de como os rendimentos e a qualidade estão aumentando. Bem como os principais indicadores de sustentabilidade que os comerciantes, torrefadores e consumidores querem ver.”

Tizita explica que a plataforma Champer pode ajudar os produtores a identificar e monitorar as principais áreas de desempenho. E isso vem não apenas para reduzir as emissões de carbono, mas também para melhorar a saúde do solo. A plataforma também fornece aos cafeicultores informações acionáveis, rastreia seu progresso na implementação de novas práticas e facilita a geração de relatórios para outras partes interessadas da cadeia de suprimentos.

“Como resultado dessa maior transparência, a Yara (e toda a cadeia de valor do café) pode responder a problemas no nível da fazenda e atender às necessidades dos produtores de forma mais eficaz”, diz Tizita. “Pela nossa experiência, já sabemos que uma abordagem de solução única para todos também não funciona.”

O cumprimento das metas de emissões de carbono é um esforço coletivo

Para alcançar uma verdadeira sustentabilidade, os produtores precisam participar ativamente na redução das emissões de carbono em suas fazendas. No entanto, isso requer um esforço conjunto para implementar essas mudanças de maneira eficaz. E isso que significa que todos os envolvidos na cadeia devem colaborar — e a tecnologia pode facilitar esse processo.

“OChamper da Yara tenha venha para atender às necessidades de outros agentes da cadeia de valor (principalmente torrefadores). No entanto, o sucesso da plataforma depende, em última análise, da mobilização de toda a indústria”, observa João. “Isso inclui agricultores, cooperativas, ONGs, distribuidores de insumos, reguladores, organismos de certificação, comerciantes e agências de pesquisa e desenvolvimento, bem como outras partes interessadas.”

Com a crescente demanda dos consumidores por café cultivado de forma sustentável, uma melhor rastreabilidade e transparência sobre como os produtores estão minimizando seu impacto ambiental beneficiam toda a indústria.

“Além de capturar e compartilhar dados sobre indicadores de produção e sustentabilidade, a Champer fornece insights acionáveis para melhorar ainda mais as práticas agrícolas regenerativas. Como resultado, podemos ajudar a construir relacionamentos de longo prazo ancorados em uma base de conhecimento aprofundada entre agricultores comprometidos e outras partes interessadas”. É o que diz João.

Capacitar os produtores para tomar decisões informadas

Reduzir as emissões de carbono nas fazendas de café algo complexo, e é por isso que é vital fornecer apoio de comerciantes, agrônomos, torrefadores e outros atores da cadeia de suprimentos aos produtores. No entanto, eles também precisam se capacitar com o conhecimento, as habilidades e a percepção necessários para tomar decisões apopriadas.

Miguel destaca que a Champer coloca um foco significativo na saúde do solo — um dos aspectos mais críticos da agricultura regenerativa. É por isso que a nova plataforma permite que os usuários acompanhem o progresso dos principais indicadores de saúde do solo. E com isso capacitem os produtores a otimizar o manejo nutricional e monitorar melhorias.

Além disso, ele explica que a plataforma captura e gera insights acionáveis para uma série de outras variáveis, incluindo insumos e rendimentos de fertilizantes. Com isso os produtores podem tomar decisões mais informadas sobre as áreas que precisam ser melhoradas. E assim atingir suas metas de emissões — e, possivelmente, melhorar a lucratividade.

A crise climática já está deixando sua marca na produção de café, tornando a necessidade de mitigar e se adaptar a esses desafios mais crucial do que nunca. Sendo assim, redução das emissões de carbono e transição para a agricultura regenerativa são essenciais.

Melhorar o acesso dos produtores à tecnologia seja fundamental para que a indústria do café atinja suas metas de emissões de carbono. E igualmente importante é as partes interessadas da cadeia se unirem e trabalharem coletivamente. Só assim esses esforços poderão ser o mais eficazes possível.

Gostou? Então leia nosso artigo explorando a agricultura regenerativa na produção de café. 

Créditos das Fotos: Yara Colombia, Yara Mexico, Joao Moraes 

Tradução: Daniela Melfi.  

PDG Brasil 

Observação: a Yara é patrocinadora do Perfect Daily Grind.

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Resíduos da produção de café: Uma alternativa sustentável https://perfectdailygrind.com/pt/2024/03/22/residuos-prdducao-cafe/ Fri, 22 Mar 2024 08:06:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=14089 Embora vital para economias locais, a cafeicultura gera grandes quantidades de resíduos, tornando-se um desafio ambiental. Entre outras razões, estágios desta cadeia produtiva geram resíduos que, se não gerenciados corretamente, podem causar problemas fitossanitários e ambientais. Por outro lado, os baixos preços do café muitas vezes não garantem lucro aos produtores, e eventualmente nem chegam […]

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Embora vital para economias locais, a cafeicultura gera grandes quantidades de resíduos, tornando-se um desafio ambiental. Entre outras razões, estágios desta cadeia produtiva geram resíduos que, se não gerenciados corretamente, podem causar problemas fitossanitários e ambientais.

Por outro lado, os baixos preços do café muitas vezes não garantem lucro aos produtores, e eventualmente nem chegam a cobrir os custos da produção ou garantir uma boa qualidade de vida aos produtores. No entanto, os subprodutos do café, da planta até a xícara, mostraram potencial para diversificar a renda dos produtores, sendo de interesse para diversos setores.

Conversei com produtores, empresários e pesquisadores sobre o potencial e os desafios do aproveitamento dos subprodutos do café. Continue lendo para saber mais. 

Leia também nosso artigo sobre biochar: Como as fazendas podem enfrentar as mudanças climáticas com os resíduos da fazenda.

Produção de madeira de café

O café é uma das bebidas mais consumidas globalmente, porém, usa-se apenas 5% do peso da cereja no preparo, deixando 95% como resíduos orgânicos. Um exemplo é a madeira produzida durante as reformas das plantações de café, geralmente usada como lenha, na produção de carvão ou como matéria orgânica para fertilização. Uma alternativa sustentável para esses resíduos é a produção de madeira a partir dos caules do cafeeiro, uma prática adotada pela Londoño’s Coffee Crafts, na região de Santa Rosa de Cabal (Colômbia), conforme relata Mauricio Londoño Sepúlveda.

Maurício é cafeicultor e gerente geral da empresa. Ele conta que há uma década, a empresa implementou o reaproveitamento dos caules do café na fabricação de móveis e acabamentos para design de interiores. Pesquisas do Cenicafé indicam que a madeira de café é resistente e densa, podendo ser utilizada na fabricação de diversos produtos, como móveis, cadeiras, estantes e pisos. 

De acordo com Maurício, a vida útil desses móveis gira entre 20 e 30 ano e a geração de CO₂ na cafeicultura poderia ser reduzida consideravelmente a partir da industrialização de caules e gravetos.

Além dos móveis, a empresa identificou outras oportunidades de negócio, como a fabricação de espetos para assar carne, aproveitando o sabor único gerado pela fumaça da madeira de café. “Quando a brasa e o carvão estão muito quentes, eles (os chefs) jogam a madeira na brasa e ela começa a gerar fumaça, que penetra na carne e dá sabor”, explica Maurício.

Ele também menciona a fabricação de ossos para cães a partir dos talos de café, destacando os benefícios naturais dessa fibra para os animais.”É uma fibra natural que ajuda o animal, tanto no desenvolvimento dos dentes, quanto na proteção e na remoção do tártaro dos dentes que começa a ser gerado pela alimentação”.

Usos alternativos para a casca e a polpa 

A casca e a polpa do café estão se tornando uma valiosa fonte de oportunidades em diversos setores, desde a agricultura até a indústria alimentícia. De acordo com Andrés Bahamón, pesquisador no Centro Surcolombiano de Investigación de Café (CESURCAFÉ), muitas vezes os resíduos se acumulam nas fazendas e, sem tratamento, causam mau cheiro e contaminação do solo e dos rios.

Elas representam cerca de 29% do peso do fruto e são compostas de proteínas, gorduras e carboidratos. Isso as torna ideais para a produção de biofertilizantes e fontes de energia e em diversos produtos prontos para consumo humano. “Fizemos análises químicas e o conteúdo de cafeína é semelhante ao dos grãos, além de ter outros compostos de interesse nutricional”, diz Nelson Gutiérrez Guzmán – também pesquisador do CESURCAFÉ.

Com o devido processamento, a casca e a polpa ainda podem ser transformadas em vários produtos, como bebidas alcoólicas, farinha sem glúten e até mesmo substrato para o cultivo de cogumelos. A ONG Slow Food Bolívia, inclusive, criou um livro de receitas à base deste subproduto. Essas iniciativas não apenas reduzem o desperdício, como promovem uma abordagem sustentável e integrada em toda a cadeia de produção. 

A casca e a polpa também são bons alimentos para diversos animais. De acordo com uma publicação da Organização Internacional do Café (OIC), a polpa pode substituir em até 20% os concentrados comerciais usados na produção de rações, reduzindo em 30% seu custo. Deve-se observar, no entanto, que elas precisam ser pré-tratadas antes do oferecimento em pequenas porções para reduzir o risco de mortalidade dos animais. Andrés explica que a casca contém cafeína e polifenóis que podem afetar a saúde animal. “Deve-se promover uma fermentação da casca por 24h para desintegrar esses compostos. Só então pode-se misturar com a ração usual numa taxa de até 40%.”

Os benefícios da mucilagem para a saúde

A mucilagem é uma camada que envolve a semente e uma forma de removê-la é durante o processamento do café lavado. Nas fazendas sem sistemas de tratamento, as águas residuais do processamento vão para nascentes e rios, causando poluição e prejudicando a fauna e a flora locais. 

Segundo a Specialty Coffee Association (SCA), as águas residuais do processamento úmido do café poluem até 40 vezes mais do que as águas residuais urbanas. No entanto, o agronegócio optou por dar uma segunda chance à mucilagem dado que algumas pesquisas revelaram que ela contém antioxidantes, polifenóis e ácido clorogênico. Essas substâncias podem melhorar a regeneração das células do corpo e retardar o envelhecimento. 

Daniela Maya, produtora de café de quinta geração e diretora de comércio exterior do grupo empresarial colombiano ACCRESCO, explicou que há anos atuam como embaixadores da economia circular, graças ao gerenciamento dos subprodutos do café que cultivam. Seu principal projeto é o concentrado de mucilagem, desenvolvido pela empresa Desarrollos Ecológicos, uma aliança entre a ACCRESCO e a Sanadores Ambientales. Ele é usado como matéria-prima em cosméticos, produtos farmacêuticos e alimentos.

“Temos uma planta que concentra a mucilagem usando evaporação a vácuo, preservando os compostos importantes sem oxidá-los. No setor de cosméticos, desenvolvemos sabonetes e shampoos, especialmente para a pele, e também cremes. É ótimo, pois os antioxidantes podem ser usados tanto internamente quanto na pele”, Daniela afirma. Os produtores também podem converter a água da mucilagem em fertilizante orgánico ou em alimento para porcos.

Pergaminho, um resíduo durável 

O pergaminho, também conhecido como cisco, é o que sobra do grão após o beneficiamento. Normalmente, o usamos como fertilizante orgânico, mas algumas empresas estão adotando-o como na queima para aquecer o secador, reduzindo resíduos e a quantidade de outros combustíveis, além de diminuir as emissões de gases de efeito estufa.

Andres destaca que o pergaminho possui propriedades antimicrobianas que o tornam resistente à degradação. Por isso, a CESURCAFÉ e a Universidad del Cauca se uniram em um projeto para criar recipientes, bandejas de alimentos e embalagens biodegradáveis. 

Além disso, a empresa Maeco, em parceria com pesquisadores da Universidade dos Andes, na Colômbia, desenvolveu um material que combina PVC e cisco de café para construir moradias sociais. Esse material, composto por 60% de resíduos de café, é versátil e tem uso em diversos projetos arquitetônicos, industriais ou decorativos, substituindo o concreto e, eventualmente, aço, alumínio, tijolo e madeira também.

Outra ideia inovadora é o desenvolvimento de briquetes compactos com pergaminho para cozimento de alimentos ou combustão industrial. Eles competem com a lenha porque usam menos tempo e material para cumprir a mesma função. 

Vantagens econômicas para os produtores de café 

Aproximadamente 70% dos cafeicultores enfrentam dificuldades com a produção de café como única fonte de renda. Utilizar os subprodutos do café para gerar receita adicional pode diminuir essa dependência, mitigando os impactos das flutuações de preços no mercado. O professor Nelson afirma: “Quando eu estava visitando a Bolívia, alguns produtores recebiam mais receita com a venda da sultana do que com a venda do próprio café. No caso de Mauricio, a venda de móveis gera uma margem de lucro de 30%. 

Os resíduos do café oferecem oportunidades de valor agregado, mas processá-los exige recursos que muitos produtores não possuem. Os caficultores também podem usar as cooperativas ou associações de café, pois algumas podem servir como centros de coleta de subprodutos. Já Maurécio sugere que pequenos cafeicultores forneçam subprodutos para indústrias maiores ou foquem em produtos artesanais.

Ele me conta que a madeira que sua fazenda produz não é suficiente e que ele recorre a outros produtores para garantir o suprimento. O valor que paga está entre US$ 0,50 e US$ 0,80. 

Falta de clareza na regulamentação

Embora muitas leis busquem regulamentar o descarte e tratamento de resíduos agrícolas para mitigar os impactos ambientais, ainda existem lacunas na regulamentação para o uso desses materiais. Mauricio destaca que na Colômbia não há regras para a reutilização da madeira de café. “Nenhuma lei fala nada sobre o transporte de madeira de café. É muito difícil entender como podemos exportá-la, comercializá-la e também para trazê-la para os Estados Unidos.”

Ele se une à Daniela, que afirma: “embora a regulamentação do café seja responsabilidade da FNC, quando se trata de subprodutos é necessário analisar outras regulamentações. Temos que saber como obter orientação, como pesquisar. Cada produto tem suas particularidades e as informações estão sempre disponíveis.” 

É crucial para produtores e empresários entenderem todos os aspectos dos subprodutos e seu uso pretendido. Isso ajuda a evitar erros ou obstáculos na comercialização. Andrés menciona que, para exportar ou comercializar a casca para uso alimentício, é importante considerar que ela ainda não está regularizada na União Europeia como produto seguro para consumo humano. “A falta de padrões específicos dificulta as coisas, especialmente nos mercados europeus”, ele diz.

A produção sustentável de café vai além da rentabilidade da colheita. Ela envolve também a proteção dos recursos naturais, da biodiversidade e o desenvolvimento socioeconômico das regiões produtoras. Processar resíduos de café exige infraestrutura e investimento, mas não deve impedir iniciativas em sua fazenda.

Ao considerar explorar esses recursos, avalie os custos, busque parcerias e entenda o mercado. Isso ampliará suas oportunidades de gerar receita adicional e reduzir a dependência dos preços do café.

Crédito das fotos: Londoño’s Coffee Craft, Tatiana Guerrero, CESURCAFÉ.

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PDG Español

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É possível termos café neutro em carbono? https://perfectdailygrind.com/pt/2023/09/13/espresso-neutro-em-carbono/ Wed, 13 Sep 2023 10:05:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=13252 É difícil ignorar o impacto que a demanda por café sustentável está tendo na indústria em geral. Grande parte do foco no tema recai na produção e exportação de café. No entanto, há também um número crescente de cafeterias que estão procurando maneiras de servirem café neutro em carbono. Há muitas maneiras de as empresas de café reduzirem […]

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É difícil ignorar o impacto que a demanda por café sustentável está tendo na indústria em geral. Grande parte do foco no tema recai na produção e exportação de café. No entanto, há também um número crescente de cafeterias que estão procurando maneiras de servirem café neutro em carbono.

Há muitas maneiras de as empresas de café reduzirem suas pegadas de carbono. Uma delas, certamente, é investir em equipamentos mais eficientes, em termos energéticos, e sustentáveis. Como exemplo, pode-se citar as máquinas de café espresso neutras em carbono. Para saber mais, conversei com Francesco Bolasco, Gerente de Projetos de Produtos e Inovação da Dalla Corte.

Você também pode gostar do nosso artigo sobre branding e personalização: como o design da máquina de café espresso está evoluindo.

Mãos de uma pessoa colhendo café

O que é café neutro em carbono?

O termo “neutro em carbono” tornou-se mais comumente usado em muitas indústrias nos últimos anos, inclusive em cafés especiais. O que isso significa?

A União Europeia define neutralidade de carbono como “ter um equilíbrio entre a emissão de carbono e a absorção de carbono da atmosfera em sumidouros de carbono”. Um sumidouro de carbono é qualquer sistema que absorva mais carbono do que emite – incluindo “sistemas” naturais como solo e florestas.

Todas as commodities têm uma pegada ambiental que pode ser medida, incluindo o café. “Todo produto ou serviço tem um impacto no meio ambiente”, diz Francesco. Esse impacto pode ser avaliado usando uma Avaliação do Ciclo de Vida (ACV).

Medição das emissões de carbono

É certamente desafiador medir com precisão a pegada de carbono do café. No entanto, vários estudos usaram LCAs para coletar dados mais confiáveis. Um deles é um artigo de pesquisa de 2020 da University College London, que analisou a pegada de carbono da produção e exportação de café do Brasil e do Vietnã para o Reino Unido. Em resumo, o estudo constatou que:

  • a pegada de carbono média do café arábica brasileiro e vietnamita atinge 15,33 (±0,72) kg de dióxido de carbono equivalente por 1 kg de café verde (kg co2e kg−1) para a produção convencional de café; 
  • a pegada de carbono média do café arábica brasileiro e vietnamita com produção mais sustentável bate em 3,51 (±0,13) kg de co2e kg-1;
  • a redução de 77% na pegada de carbono para a produção sustentável de café em comparação com a produção convencional resulta, em geral, da exportação de café via navios de carga (e não por avião) e usando menos insumos agroquímicos;
  • a maioria das emissões de carbono de toda a cadeia de suprimentos veio da exportação e transporte.

Da mesma forma, outro estudo, que mediu as emissões de carbono do café da  Costa Rica, descobriu que a pegada total de carbono em toda a cadeia de suprimentos foi de 4,82 kg CO2e kg-1. Deve-se notar também que a Costa Rica é um dos países mais sustentáveis do mundo. Em parte, isso provavelmente explica o nível mais baixo de emissões.

Como as empresas reduzem suas pegadas de carbono?

As empresas de café podem se tornar neutras em carbono por meio de dois métodos: inserção e compensação de carbono. O primeiro envolve a redução das emissões de carbono dentro da própria cadeia de suprimentos de uma empresa. Este último, por sua vez, é onde as empresas investem em iniciativas sustentáveis fora de suas próprias operações.

No entanto, pode levar anos para uma empresa desenvolver e implementar seu próprio projeto de redução de carbono. Por sua vez, os esquemas de compensação de carbono são mais populares. Mas as empresas devem primeiro medir a pegada de carbono de todas as suas cadeias de suprimentos ao escolher esse método.

Francesco conta como Dalla Corte usou o método de avaliação “do berço ao portão” para calcular a pegada de carbono de suas máquinas de café espresso Zero, XT e Icon. “‘Do berço ao portão’ refere-se à pegada de carbono de um produto desde o momento em que é feito até o momento em que chega ao cliente. Como somos uma empresa B2B, consideramos que o destino final de nossos produtos são os armazéns de nossos distribuidores globais.”

Depois de calcular a pegada de carbono de cada máquina, Francesco diz que a empresa compensou todas as emissões através do projeto Ntakata Mountains, que protege e preserva a vida selvagem, as florestas e as comunidades indígenas na Tanzânia.

Embalagem de máquina de espresso Dalla Corte

E quanto à sustentabilidade nas cafeterias?

Grande parte do foco na sustentabilidade no café gira em torno da produção e exportação – e com razão. Muitos estudos apontam para esses estágios da cadeia de suprimentos como os maiores emissores de dióxido de carbono (CO₂).

Em consonância com isso, uma série de práticas sustentáveis foram implementadas em fazendas de café. No entanto, isso significa que o ônus de melhorar a sustentabilidade na indústria do café recai em grande parte sobre os agricultores, incluindo os pequenos produtores.

Dado que a agricultura comercial é responsável pela grande maioria das emissões de carbono na produção de café, compartilhar o fardo entre outros profissionais da cadeia é fundamental para alcançar a “verdadeira” sustentabilidade. Por isso, além de se tornarem neutras em carbono, as cafeterias em todo o mundo começaram a implementar práticas de negócios mais sustentáveis. Isso levou a ações como:

  • reduzir o uso de copos descartáveis para viagem;
  • reciclagem de mais resíduos, incluindo borra de café usada;
  • adotar práticas de desperdício zero;
  • oferecer mais opções de leite à base de plantas, que tendem a ter uma pegada de carbono menor do que o leite de vaca.

Máquinas de espresso e outros equipamentos

Com o recente  aumento dos custos para as empresas de hospitalidade, a eficiência energética dos equipamentos tornou-se mais importante do que nunca. Isso é mais notável com as máquinas de café espresso, pois elas tendem a produzir os mais altos níveis de CO2 entre equipamentos em cafeterias. “Para nossas máquinas em particular, entre 90% e 95% das emissões de carbono vêm do uso geral, pois exigem eletricidade para funcionar”, diz Francesco.

Além disso, devido à perda de calor, as caldeiras mal isoladas podem desperdiçar até 50% da energia que usam. Isso levou alguns fabricantes de máquinas de café espresso a desenvolver modelos mais eficientes em termos energéticos e sustentáveis para resolver esses problemas, incluindo máquinas neutras em carbono.

Francesco explica como Dalla Corte calculou a pegada de carbono de algumas de suas máquinas de café espresso, começando com a XT. Ele diz que a primeira etapa do processo envolveu a análise do impacto ambiental de todas as peças da máquina – incluindo os materiais utilizados e onde eles foram fabricados. “Quanto mais longe o fornecedor estiver de uma parte específica, maiores serão os níveis de emissões.”

“Também perguntamos aos nossos principais fornecedores sobre seus processos de produção e melhores práticas de sustentabilidade para uma avaliação de impacto mais precisa. O segundo passo foi medir as emissões de carbono para cada parte em termos de consumo de energia. E, finalmente, compilamos uma lista de todas as remessas e outros meios de transporte para nossos distribuidores globais num determinado período”, ele acrescenta.

Usando dados como este, as empresas podem medir a pegada de carbono média de uma única máquina de café espresso. “Em média, a produção e distribuição de uma única máquina de café espresso Dalla Corte produz cerca de 600 kg de CO₂”, diz Francesco.

Máquina de espresso neutro em carbono da Dalla Corte

É possível ter uma máquina de espresso neutra em carbono?

Francesco explica o que é uma máquina de café espresso neutra em carbono. “Por definição, é uma máquina de café espresso em que você compensou todas as suas emissões de carbono comprando um volume igual de créditos de carbono.”

A Dalla Corte compensou as emissões de suas máquinas de café espresso XT, Zero e Icon por meio de seu novo Projeto de Sustentabilidade PlaNet, lançado oficialmente em dezembro de 2022. “Estamos combinando todos os nossos projetos de sustentabilidade sob o nome PlaNet, o que adiciona outra camada importante ao nosso plano de sustentabilidade. Essas três máquinas agora são certificadas como neutras em carbono”, diz Francesco.

Além de compensar (ou inserir) as pegadas de carbono das máquinas, há vários outros recursos projetados com a sustentabilidade em mente. “Por exemplo, as máquinas Zero, XT e Icon da Dalla Corte não usam caldeiras para aquecer a água da infusão. Em vez disso, o aquecimento acontece diretamente em cada cabeça de grupo usando apenas a quantidade de energia necessária para cada extração. Isso ajuda a reduzir o consumo de energia. E, graças ao nosso novo sistema de controle de Derivados Integrais Proporcionais (PID), alcançamos uma eficiência ainda melhor”, acrescenta.

Espresso na mão de uma pessoa

Os benefícios do café neutro em carbono

Para qualquer negócio de café, há muitas vantagens claras em reduzir as emissões de carbono e se tornar neutro em carbono. Em primeiro lugar, muitos órgãos governamentais globais estão levando as empresas a minimizar seu impacto ambiental. Por exemplo, o Acordo Verde da UE planeja criar uma economia neutra em termos climáticos até 2050.

Em janeiro de 2023, um estudo publicado na PLOS Climate descobriu que, nas últimas quatro décadas, as condições climáticas que podem reduzir a produção de café se tornaram mais frequentes. Isso inclui temperaturas mais altas, bem como níveis mais erráticos de chuva e umidade, o que poderia resultar em “choques sistêmicos contínuos” na produção global de café.

Atendimento a demandas dos consumidores

“Os consumidores de café são mais experientes e estão pedindo mais produtos ‘verdes’”, diz Francesco. “Empurrar os proprietários de empresas de café para melhorar suas próprias práticas de sustentabilidade também reforça essa necessidade para seus fornecedores.”

De acordo com isso, Francesco recomenda que as cafeterias e torrefações incluam informações sobre qualquer equipamento neutro em carbono que eles usem em seus relatórios de sustentabilidade, caso sejam publicados. Em última análise, as empresas devem procurar fornecer informações mais acessíveis sobre seu impacto ambiental, especialmente porque isso se torna cada vez mais importante para os consumidores.

Por exemplo, de acordo com uma pesquisa da YouGov de 2021, 60% dos consumidores dos EUA (especialmente as gerações mais jovens) estão dispostos a pagar um prêmio por produtos sustentáveis. Além disso, em um mercado altamente competitivo, as máquinas de café espresso neutras em carbono podem ajudar na divulgação e no posicionamento de marketing das cafeterias.

Consumo de energia

Além de reduzir o impacto ambiental, as máquinas de café espresso neutras em carbono são projetadas com maior eficiência energética em mente.  “As máquinas Dalla Corte não são apenas neutras em carbono, mas também possuem tecnologias patenteadas que reduzem o consumo de energia durante sua vida útil”, diz Francesco.

Considerando que os custos de energia estão aumentando para as cafeterias em todo o mundo, investir em uma máquina de café espresso mais sustentável pode ajudar a reduzir o consumo de energia e, portanto, os custos também.

Máquina de espresso Icon da Dalla Corte

Nos últimos anos, a indústria de cafés especiais fez grandes progressos para se tornar mais sustentável. Uma grande parte disso diz respeito à minimização das emissões de carbono, diminuindo assim o impacto da cadeia de suprimentos no meio ambiente.

E enquanto a maioria de nós pensaria primeiro em projetos de reflorestamento e técnicas de produção sustentáveis, está claro que a sustentabilidade não termina na origem. 

É possível criar uma máquina de café espresso neutra em carbono e, além disso, investindo em iniciativas de compensação ou inserção de carbono, as empresas de café podem reduzir a pegada de carbono de seus equipamentos – potencialmente dando a seus negócios um novo ponto de venda exclusivo.

Gostou? Então leia nosso artigo sobre evolução técnica: Como as máquinas de café espresso  mudaram no século  XXI.

Créditos das fotos: Dalla Corte

PDG Brasil

Traduzido por Daniela Melfi

Observação: Dalla Corte é patrocinador do Perfect Daily Grind.

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Por que a saúde do solo é crucial para a agricultura regenerativa no café? https://perfectdailygrind.com/pt/2023/09/08/saude-do-solo/ Fri, 08 Sep 2023 14:31:58 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=13306 As mudanças climáticas estão entre as questões que mais podem afetar o futuro da indústria global do café. Grande parte da produção de café sustentável gira em torno da agricultura regenerativa, que envolve práticas com o objetivo de compartilhar conhecimento e princípios agroecológicos, assim como de reviver ecossistemas naturais e promover a saúde do solo. […]

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As mudanças climáticas estão entre as questões que mais podem afetar o futuro da indústria global do café. Grande parte da produção de café sustentável gira em torno da agricultura regenerativa, que envolve práticas com o objetivo de compartilhar conhecimento e princípios agroecológicos, assim como de reviver ecossistemas naturais e promover a saúde do solo.

Um estudo de 2023 sugere que as condições climáticas das últimas quatro décadas vêm resultando em “choques sistêmicos contínuos” na cafeicultura. Sendo assim, é natural que a demanda por café social e ambientalmente responsável esteja em alta. Sem um solo saudável que contenha o nível e o equilíbrio certos de nutrientes, além de ter a estrutura e a biologia ideais, os produtores não conseguirão mais cultivar café de alta qualidade.

Então, o que os agricultores podem fazer para melhorar e manter a saúde do solo e por que isso é tão importante? Para descobrir, conversei com vários profissionais do setor na Yara, uma fabricante e distribuidora de fertilizantes à base de nitrogênio.

Você também pode gostar do nosso artigo que explora a agricultura regenerativa na produção de café.

cafeicultor em meio à lavoura, com os grãos ainda verdes em primeiro plano

O que é agricultura regenerativa?

Embora não haja uma definição formal de agricultura regenerativa (AR), o termo foi usado pela primeira vez pelo Instituto Rodale na década de 1980 para descrever aspectos globais da agricultura orgânica. Algumas dessas práticas, que também podem ser usadas em todos os tipos de agricultura, incluem:

  • restaurar a saúde do solo;
  • proteger o meio ambiente local e a vida selvagem;
  • promoção da biodiversidade;
  • conservação da água.

Maria Silvia Tonti é o vice-presidente do Centro de Competência para AR e Carbono da Yara. Segundo ela, a agricultura regenerativa é uma abordagem sistêmica baseada em resultados para adotar as melhores práticas agrícolas. “O foco é impactar positivamente a natureza e o clima em cinco temas recorrentes: clima, saúde do solo, uso de recursos, biodiversidade e prosperidade”, diz ela.

Basicamente, a implementação de práticas agrícolas regenerativas também deve ajudar os agricultores a aumentar a qualidade e os rendimentos, bem como a melhorar a sua resiliência às alterações climáticas. “A agricultura regenerativa tem uma abordagem inclusiva que se aplica a todos os sistemas de cultivo e agricultura e respeita a necessidade de ser específico no contexto da agricultura”, ela acrescenta.

Victor Hugo Ramirez-Builes é o especialista sênior em ciência e café da Yara. Ele explica por que a saúde do solo é um aspecto integral da agricultura regenerativa. “O solo saudável é essencial para o crescimento de plantas de café saudáveis. Se o solo tiver baixos níveis de fertilidade, bem como baixo pH (alta acidez) e capacidade de retenção de água, isso limitará o crescimento e a produtividade do café de alta qualidade.”

Ramo de cafeeiro com flores

Por que a saúde do solo é tão importante?

Em primeiro lugar, precisamos entender o que a saúde do solo realmente significa. De acordo com Victor, ela pode ser definida como as condições que permitem o crescimento e desenvolvimento de sistemas radiculares saudáveis. “Isso pode ser alcançado se o solo for fértil, ter baixos níveis de acidez, retenção adequada de água e boa distribuição entre os poros que permitem drenagem e retenção adequadas da água.”

Victor acrescenta que a saúde do solo também permite a mineralização de qualquer material orgânico adicionado, como adubos verdes. “Além disso, a resistência do solo à erosão gerada pelas chuvas é um indicador de sua saúde”, ele acrescenta.

Segundo Miguel Andrés Amado, gerente de desenvolvimento de negócios da Yara na Colômbia, melhorar a saúde do solo é uma das maneiras mais eficazes de manter a produtividade no longo prazo e aumentar a adaptação às mudanças ambientais. Além disso, o solo saudável também tem a capacidade de sequestrar mais carbono e, assim, reduzir a pegada ambiental dos produtores de café e melhorar sua resiliência às mudanças climáticas. Para melhorar a saúde e a qualidade do solo, há uma série de aplicações que os cafeicultores podem usar, incluindo fertilizantes.

Simon Pogson é diretor de serviços analíticos e de solos da Yara. De acordo com ele, a nutrição equilibrada das culturas, combinada com boas práticas agrícolas, é crucial para a regeneração da saúde do solo e da atividade natural da biologia do solo. “No entanto, a aplicação excessiva de fertilizantes ou o uso de fertilizantes que aumentam os níveis de acidez podem prejudicar a população biológica do solo e reduzir a saúde do solo, bem como danificar a estrutura do solo, os ciclos de nutrientes e o manejo da água”, acrescenta.

cafeicultor irrigando mudas de café de origem em agricultura regenerativa

O que os produtores podem fazer para tornar o solo mais saudável?

Uma das maneiras mais eficazes para os produtores melhorarem a saúde de seu solo é aplicar fertilizantes de alta qualidade. “Os fertilizantes desempenham um papel crucial na adição de nutrientes essenciais ao cafeeiro. Quando o café é colhido, uma quantidade significativa de nutrientes é retirada do solo e a capacidade dele de fornecer nutrientes diminui se não houver a reposição adequada dessas substâncias”, explica Maria.

“Isso também pode levar à degradação do solo e reduzir a produção e a qualidade do café”, acrescenta. “Reabastecer o solo com nutrientes deficientes garante que ele permaneça fértil e apoie o cultivo saudável de café. Os micro-organismos suplementares também ajudam a mitigar a presença de nematoides e doenças, o que reduz a necessidade de produtos químicos nocivos.”

Aplicar fertilizantes no momento certo, no entanto, também é fundamental. O solo deve ser bem drenado, idealmente ter um nível de pH entre 5,2 e 6,3 e ter o equilíbrio e os volumes certos de nutrientes, como:

  • nitrogênio;
  • potássio;
  • fósforo;
  • cálcio;
  • magnésio;
  • enxofre;
  • zinco;
  • boro;
  • outros micronutrientes como cobre, ferro, manganês, cloro, níquel, molibdênio e cobalto.

Apoio aos produtores

Para obter os melhores resultados, é importante que os produtores tenham acesso às ferramentas e recursos certos. “As ferramentas analíticas e digitais da Yara garantem que os agricultores possam adotar uma abordagem mais precisa para o manejo de nutrientes, o que é fundamental para preservar e melhorar a saúde do solo”, diz Maria.

A disseminação e o compartilhamento de conhecimentos e melhores práticas também são importantes para melhorar a saúde do solo. De acordo com Kaio dias, líder de café da Yara no Brasil, as ferramentas digitais e o conhecimento agronômico ajudam a gerar recomendações mais precisas para o uso de fertilizantes a partir das fontes certas, no momento certo, no lugar certo e com a dose certa.

“O programa NossoCafé da Yara no Brasil, por exemplo, é projetado para que os produtores obtenham os melhores resultados de seu café em diferentes condições de cultivo. Em 2022, nossos estudos mostraram que, ajustando os níveis recomendados de potássio no solo, os agricultores poderiam reduzir coletivamente o uso desse nutriente em mais de 80.000 toneladas por ano”, diz ele.

O programa NossoCafe também fornece aos produtores fertilizantes mais adequados às suas necessidades individuais, além de oferecer soluções diferentes para arábica e conilon (ou robusta). O programa também reconhece e celebra os produtores brasileiros que estão implementando práticas agrícolas mais regenerativas.

Sergio Petrachi é um produtor de café no Brasil, que também ganhou o Prêmio de Sustentabilidade do Concurso de Qualidade NossoCafé 2022. Ele me conta sobre algumas das práticas sustentáveis usadas em sua fazenda.

“Aplicamos um composto produzido com resíduos de nossa fazenda, como esterco bovino”, diz ele. “Também fornecemos aos nossos trabalhadores salários adequados, oportunidades de aprendizado e acomodação, além de manter viveiros para árvores nativas e reflorestar as margens de riachos e nascentes locais.”

pessoa despejando grãos num moedor

Beneficiando toda a cadeia de produção

Em última análise, os benefícios de melhorar a saúde do solo podem se estender muito além da produção de café. Juntamente com outras variáveis, quando o solo de uma fazenda de café tem nutrientes adequados e uma quantidade saudável de micróbios, tanto a produção quanto a qualidade do café podem aumentar.

Teoricamente, isso significa que os produtores podem receber mais dinheiro e investir mais em seus negócios. Além disso, os torrefadores podem obter café de maior qualidade – garantindo que a demanda por cafés especiais mais sustentáveis seja atendida.

No entanto, um dos fatores mais cruciais a considerar é melhorar a resiliência e a adaptação da indústria do café às mudanças climáticas. Conforme o relatório Coffee in the 21st Century da Conservation International, até 2050, a indústria do café precisará produzir entre 4 e 14 milhões de toneladas adicionais de café por ano para atender à crescente demanda.

A menos que os produtores de café possam aumentar significativamente a produção por hectare, isso significa que eles precisarão dobrar o tamanho da área cultivada até 2050. E, embora haja mais terras disponíveis para cultivar café ao longo do Cinturão do Grão, manter e promover a saúde do solo é um dos primeiros passos para aumentar a produção.

“O café é uma cultura perene, e cada planta pode ser colhida por 20 anos ou mais”, diz Kaio. “No entanto, isso requer planejamento e preparação adequados do solo antes do plantio, bem como durante o cultivo.”

O papel da equidade de gênero

Considerando que as mulheres podem representar até 70% do trabalho na produção de café em certos países, compartilhar conhecimentos e melhores práticas para melhorar a saúde do solo com elas é essencial. Por exemplo, o Programa Campeão da Yara na Colômbia – com uma iniciativa exclusiva voltada exclusivamente para mulheres – ensina os cafeicultores a implementar práticas agrícolas mais regenerativas, além de usar água e fertilizantes de forma mais responsável.

Os participantes também recebem mentoria e acesso aos recursos e plataformas online da Yara. Além de incentivo para que se inscrevam numa competição que avalia os padrões de qualidade conforme os protocolos do Instituto de Qualidade do Café. “Os produtores de café parceiros podem abordar os agrônomos da Yara localizados em mais de 50 países e obter recomendações precisas de nutrientes e fertilizantes usando nossas ferramentas agrícolas, analíticas e agronômicas digitais”, diz Victor.

Mão selecionando cerejas maduras de café recém-colhidas.

Com a ameaça das mudanças climáticas se tornando cada vez mais prevalente, há um interesse comum em toda a indústria global do café em encontrar maneiras mais sustentáveis de se adaptar e mitigar seus efeitos.

Um dos métodos mais eficazes é medir, gerenciar e melhorar a saúde do solo. Como resultado desse passo pequeno, mas importante, os produtores de café podem criar uma cadeia de suprimentos mais resiliente a longo prazo.

Gostou? Em seguida, leia nosso artigo sobre produção e lucratividade de café ambientalmente sustentável.

Tradução: Daniela Melfi.   

PDG Brasil

Observação: a Yara é patrocinadora do Perfect Daily Grind.

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Como as iniciativas sociais podem melhorar a equidade de gênero na produção de café? https://perfectdailygrind.com/pt/2023/05/08/equidade-de-genero-na-cafeicultura/ Mon, 08 May 2023 10:01:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=12728 De acordo com o Relatório Global de Diferenças de Gênero de 2022 do Fórum Econômico Mundial, levará cerca de 132 anos para que se alcance a paridade de gênero global total se continuarmos no ritmo atual. Naturalmente, isso significa haver um progresso significativo a ser feito no fechamento da lacuna de gênero em muitas indústrias, incluindo o […]

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De acordo com o Relatório Global de Diferenças de Gênero de 2022 do Fórum Econômico Mundial, levará cerca de 132 anos para que se alcance a paridade de gênero global total se continuarmos no ritmo atual. Naturalmente, isso significa haver um progresso significativo a ser feito no fechamento da lacuna de gênero em muitas indústrias, incluindo o setor cafeeiro.

Quando olhamos para a produção de café em particular, estima-se que até 70% do trabalho é realizado por mulheres. Apesar disso, os benefícios econômicos que elas acessam normalmente são menores em comparação com os homens que trabalham na produção de café.

Além disso, se as mulheres que trabalham na agricultura tivessem acesso igualitário a recursos financeiros, bem como a papéis de tomada de decisão e liderança, acredita-se que a produção agrícola global poderia aumentar em até 4%.

Para descobrir como as iniciativas sociais podem melhorar a equidade de gênero na produção de café, reunimos alguns insights de pessoas envolvidas no setor e em programas certificados pela Fairtrade. Leia para descobrir mais

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Produtora de café associada a uma cooperativa que promove ações para a  equidade de gênero em meio à lavoura

Os desafios para as mulheres na produção de café

Não há como negar que as mulheres que trabalham na produção de café enfrentam uma série de questões únicas e complexas.

Apesar de desempenhar um papel significativo no trabalho envolvido na produção de café, as mulheres têm comparativamente reduzido o acesso a recursos financeiros e educacionais no setor cafeeiro.

Além disso, elas têm menos poder para tomar decisões, ocupar papéis de liderança e possuir terras em várias regiões produtoras de café. E isso significa que as mulheres que trabalham com café normalmente ganham significativamente menos do que seus colegas do sexo masculino.

Justine Namayanja é Diretora Sênior de Programas da Fairtrade África. Ela também é o Ponto Focal de Gênero da Rede de Fairtrade da África Oriental e Central – um papel que envolve o desenvolvimento da estratégia de integração de gênero da organização.

“Em muitos países de origem, o café é um setor dominado por homens”, ela me diz. Os homens são muito mais propensos a possuir terras, enquanto as mulheres trabalham na terra com seus maridos e pais.

“Em última análise, isso significa que as mulheres não têm acesso à propriedade”, acrescenta ela. “Os homens decidem como vender o café, e apenas os homens são normalmente autorizados a participar de cooperativas – não as mulheres.”

Justine explica que, além dos desafios pré-existentes que as mulheres enfrentam na produção de café, também há expectativas sociais e culturais em alguns países de origem de que as mulheres devem lidar com a grande maioria dos cuidados infantis e tarefas domésticas. Como resultado, isso significa que as mulheres têm pouco tempo e recursos para investir em sua educação e desenvolvimento profissional (caso queiram) – potencialmente reduzindo suas chances de ganhar mais dinheiro.

Diferenciando igualde de equidade de gênero

No entanto, se quisermos entender a extensão dos desafios que as mulheres enfrentam na produção de café, também precisamos reconhecer a diferença entre os conceitos de igualdade e equidade de gênero.

Em termos simples, igualdade significa que todos recebem o mesmo tratamento e acesso a recursos e oportunidades. A equidade, por sua vez, é responsável por desvantagens e preconceitos presentes e históricos.

Para as mulheres, a equidade significa receber a quantidade certa de apoio e os recursos corretos para garantir que elas tenham o mesmo acesso às oportunidades que os homens.

A Dra. Eduarda Cristovam é Diretora de Café, Qualidade e Sustentabilidade da Matthew Algie – uma torrefadora de Glasgow que fornece café certificado pela Fairtrade.

“Na produção de café, as mulheres muitas vezes têm que ficar em segundo plano, e algumas delas estão felizes por não estar na vanguarda”, explica ela. “Isso se deve em grande parte às atitudes sociais e culturais muito tradicionais em certos países de origem, e elas podem ser difíceis de mudar. “Se queremos que a produção de café seja verdadeiramente sustentável, devemos priorizar a equidade de gênero”, acrescenta.

Produtora de café em meio à lavoura

Explorando iniciativas sociais em prol da equidade de gênero nos países produtores de café

Há várias maneiras de melhorar a equidade de gênero na produção de café, mas uma das mais eficazes é por meio de iniciativas sociais. 

Por exemplo, a Fairtrade ajuda a capacitar e apoiar as mulheres na produção de café de várias maneiras diferentes. De acordo com uma pesquisa da Fairtrade, as mulheres representam apenas 25% dos pequenos produtores de café com os quais trabalham diretamente.

Justine, que trabalha com 15 organizações de pequenos agricultores em Uganda, explica como os Padrões de Fairtrade ajudam a promover a equidade de gênero na produção de café.

“Os Padrões de Fairtrade não são apenas uma ferramenta para melhorar a equidade de gênero, mas também para capacitar mulheres”, diz. “Quando implementam os Padrões de Fairtrade, os produtores são auditados para garantir que suas políticas sejam mais inclusivas para as mulheres.”

Os padrões Fairtrade incluem o combate à discriminação com base em gênero ou estado civil e a comportamentos sexualmente intimidantes, abusivos ou exploradores. Além disso, exigem que organizações certificadas desenvolvam políticas de gênero de longo prazo. “Com a implementação desses padrões, vimos as organizações melhorarem suas políticas e programas de equidade de gênero”, acrescenta Justine.

A questão financeira

Luzmila Loayza faz parte da Cooperativa Agrária Frontera San Ignacio, no Peru, que também é certificada pelo Fairtrade. Em 2016, suas associadas lançaram sua própria marca de café, Las Damas de San Ignacio. 

Ela diz que, ao estabelecer sua própria marca, as mulheres melhoraram seu acesso a recursos financeiros e diversificaram sua renda.

“Foi empoderador porque ajudou as mulheres a encontrar seu próprio papel dentro da cooperativa”, explica ela. “Isso também mostra o quão duro eles trabalham, o que você pode dizer pela qualidade do café. “Também é importante destacar que alcançar a equidade de gênero não é competir com nossos colegas do sexo masculino – é sobre homens e mulheres se apoiarem mutuamente”, acrescenta ela. “Todos nós precisamos contribuir para o sucesso da cooperativa, para podermos cultivar coletivamente café de alta qualidade.”

Incluindo mulheres na liderança e em cargos com poder de decisão

Na Ascarive, outra cooperativa certificada pela Fairtrade em Minas Gerais, Brasil, que trabalha diretamente com Matthew Algie, a cafeicultora Dulcilene compartilha sua perspectiva sobre as iniciativas locais de inclusão de gênero que eles implementaram. 

“Frequentamos o grupo de mulheres, que realiza palestras educativas e incentiva muito as mulheres”, diz ela. Ela acrescenta que, antes de participar do grupo, algumas mulheres da cooperativa ficariam mais em segundo plano.

“Participar do grupo ajudou as mulheres que estavam mais escondidas e tímidas”, explica ela. “Isso criou oportunidades para sermos menos medrosas e nos impedir de pensar que não somos capazes – nos ajudou a acreditar poder alcançar o que quisermos.”

Liliane é a tesoureira da Ascarive e trabalha na cooperativa há cerca de oito anos. Ela diz que seu envolvimento com a cooperativa foi transformador e melhorou sua autoconfiança. Além disso, também ajudou a mudar equívocos sobre as mulheres em papéis de liderança.

Liliane explica ainda que há cerca de dez anos, ela se sentia invisível e não ouvida pelos homens de sua comunidade. “Agora, com o apoio da Fairtrade, sou uma empreendedora e me sinto uma mulher empoderada”, diz. “Estou muito orgulhosa de ser um pequena produtor de café.”

Ela também explica como manter uma posição de liderança ajudou a encorajar outras mulheres. “Acho que minha posição na cooperativa fez com que outras mulheres percebessem que também conseguem ocupar esses papéis”, diz ela. “Agora espero que minhas filhas um dia tomem meu lugar. “Queremos trabalhar lado a lado com nossos maridos, pais, irmãos e colegas do sexo masculino”, acrescenta. “Cada um tem o seu papel, mas precisamos crescer juntos.”

Cerejas de café recém-colhidas em uma peneira

Por que promover a equidade de gênero na produção de café?

De acordo com uma pesquisa da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), reduzir a diferença de gênero na indústria agrícola global poderia tirar entre 100 e 150 milhões de pessoas da fome.

Além disso, a mesma pesquisa afirma que, quando as mulheres têm igual acesso aos mesmos recursos e insumos agrícolas que os homens, o rendimento das culturas pode aumentar em até 30%. 

Considerando que a indústria do café está enfrentando uma série de desafios – incluindo um declínio na produção em alguns países de origem e a crescente ameaça das mudanças climáticas – melhorar a equidade de gênero pode ser uma das maneiras de aumentar a produção de café.

“Melhorar a equidade de gênero também pode ajudar a atender à crescente demanda por café de maior qualidade”, explica Justine. “Ao treinar as mulheres para realizar as melhores práticas agrícolas, elas podem se concentrar em melhorar a qualidade, bem como sua renda.”

Não há dúvida de que alcançar a equidade de gênero na produção de café é um processo complexo e demorado, mas ao abordar as questões atuais e futuras potenciais, organizações como a Fairtrade podem ter um impacto positivo real na vida das mulheres trabalhadoras do café. Em última análise, isso também significa que suas famílias e comunidades também podem se beneficiar.

“As mulheres investem muito na educação de seus filhos”, diz Eduarda. “Por sua vez, as crianças podem ver mais de um futuro na produção de café para si.

“Quando você investe em mulheres, você não investe apenas nelas – você pode ter uma influência significativa sobre como uma comunidade ou sociedade se desenvolve”, acrescenta ela. Liliane concorda, dizendo: “Quanto mais sustentável for a produção de café, mais nossos filhos terão futuro na indústria”.

Trabalhadores associados a uma cooperativa que promove ações pela equidade de gênero no café em meio à lavoura

O futuro

Para que as mulheres que trabalham na produção de café experimentem o impacto total de iniciativas sociais inclusivas de gênero, como o comércio justo, é necessário que haja apoio de toda a cadeia de suprimentos.

“O empoderamento financeiro das mulheres permitirá que elas levantem suas vozes como parceiras de negócios. Mais confiança precisa ser construída entre as mulheres e as pessoas que compram seu café. Também precisamos ver mais mercados de café focados nas mulheres. E, além disso, a equidade de gênero precisa se tornar mais normalizada”, conclui Justine

Maria Paula é a outra integrante do Ascarive. Ela enfatiza o importante papel que os torrefadores e os consumidores desempenham para ajudar a melhorar a equidade de gênero. “Não é apenas uma xícara de café – você também faz parte de nossas histórias e oportunidades comprando e bebendo nosso café”, diz.

“Você está dando a cada um de nossos produtores a oportunidade de crescer e se desenvolver, e ver que seu trabalho duro é valorizado. Eu gostaria de ver mais mulheres assumindo papéis importantes em cooperativas e tendo vozes mais predominantes, sendo respeitadas e ouvidas”, finaliza Luzmila

Trabalhadora revolvendo grãos de café em pátio de secagem

Apesar dos muitos desafios que as mulheres enfrentam na produção de café, esforços vêm sendo feitos para melhorar a equidade de gênero, incentivar as mulheres e ampliar seu acesso a inúmeros recursos.

Com o tempo – com maior acesso à educação, insumos agrícolas e recursos financeiros – as mulheres produtoras de café podem vir a desempenhar um papel ainda maior no apoio à sustentabilidade do setor cafeeiro e a se tornar mais responsáveis pela lavoura que cultivam.

Gostou? Em seguida, leia nosso artigo explorando o impacto do fornecimento sustentável de café a longo prazo.

Créditos das fotos: Fairtrade

PDG Brasil

Traduzido por Daniela Melfi

Observação: a Fairtrade é patrocinadora da Perfect Daily Grind.

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Resolvendo problemas ambientais na cafeicultura https://perfectdailygrind.com/pt/2023/03/22/resolvendo-problemas-ambientais-na-cafeicultura/ Wed, 22 Mar 2023 11:01:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=12507 O café é uma das commodities mais comercializadas no mundo, o que significa que é produzido e exportado em grande escala global. Naturalmente, a produção agrícola desse porte pode, por vezes, resultar no surgimento de problemas ambientais. Muitas vezes, isso acontece devido a ligações com a desmatamento e a má gestão das explorações agrícolas, por […]

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O café é uma das commodities mais comercializadas no mundo, o que significa que é produzido e exportado em grande escala global. Naturalmente, a produção agrícola desse porte pode, por vezes, resultar no surgimento de problemas ambientais.

Muitas vezes, isso acontece devido a ligações com a desmatamento e a má gestão das explorações agrícolas, por exemplo. No entanto, à medida que a demanda por café sustentável aumenta, mais e mais esforços vêm sendo feitos para apoiar os cafeicultores na redução do impacto ambiental de sua produção.

Além disso, como o impacto das mudanças climáticas continua a ameaçar o futuro do setor cafeeiro, esses esforços sustentáveis são agora mais importantes do que nunca. Para descobrir como podemos reconhecer e começar a resolver problemas ambientais na produção de café, falei com três especialistas.

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trabalhadores derrubando uma árvolre

As questões ambientais associadas à produção de café

Em primeiro lugar, deve-se notar que a maioria das questões ambientais na produção de café são um resultado da agricultura em grande escala. 

Embora se estime que os pequenos agricultores produzam até 80% da oferta mundial de café, a maioria deles só cultiva em áreas de até 30 ha. Isso significa que seus rastros de carbono são mínimos em comparação com fazendas de café maiores e empresas multinacionais de café.

Em última análise, isso significa que a contabilização das questões ambientais é, em grande parte, da responsabilidade dessas empresas – e não dos produtores. E embora haja um número crescente de programas sustentáveis sendo implementados, isso não significa que não haja algumas questões ambientais decorrentes da produção.

Steffen Sauer é o fundador da Ulinzi Africa Foundation, uma organização sem fins lucrativos que trabalha com guardas florestais na África Oriental para proteger a vida selvagem local. Segundo ele, a conservação e a proteção ambiental são problemas da indústria cafeeira, mas não exclusivos do setor. “Estas são questões em todas as principais indústrias agrícolas de grande escala devido às economias de escala.”, ele diz.

Emissões de carbono e outras questões ambientais na cafeicultura

Um estudo de 2021 da University College London descobriu que, após a exportação de café, a produção foi responsável pelo segundo maior volume total de emissões de carbono em toda a cadeia de suprimentos.

Isso ocorre porque, em muitos casos, o transporte de café depende de combustíveis fósseis, já que o café é geralmente enviado para países consumidores em grandes navios cargueiros.

No entanto, para além das emissões, temos também de considerar outras questões ambientais. Por exemplo, o uso incorreto de produtos químicos e insumos agrícolas. Se aplicados incorretamente, esses itens podem causar sérios danos ao meio ambiente e à vida selvagem ao redor. 

O uso excessivo desses produtos químicos pode levar a um declínio na saúde do solo, e à contaminação das águas subterrâneas com excesso de nutrientes – particularmente nitrogênio e fósforo. Em última análise, isso pode matar animais, insetos, peixes e pássaros.

O desmatamento também é outro problema para a agricultura em larga escala, pois leva a uma perda significativa de habitat para a vida selvagem local e pode acelerar a desertificação de terras aráveis. “A conservação não se trata apenas de proteger os animais, mas também seus habitats”, acrescenta Steffen. “Há muitas sinergias entre conservação e café; elas estão interligadas.”

O impacto do desmatamento

Em todo o mundo – incluindo nas principais regiões produtoras de café – estima-se que uma média de 13 milhões de hectares de floresta sejam perdidos por ano. Isso não apenas destrói habitats para animais, insetos e pássaros, mas também significa haver menos árvores para sequestrar carbono.

Isto é especialmente preocupante, pois os especialistas já estão prevendo que, se as emissões de carbono permanecerem como são agora, até 2050, metade de todas as terras de arábica globais poderiam passar a ser inadequadas.

Cafés processados em via úmida

E o processamento do café?

O processamento é uma parte fundamental do preparo para exportação, além de afetar diretamente a qualidade. Os dois principais métodos são o lavado e o natural.

Ritesh Doshi é o CEO da Spring Valley Coffee no Quênia. Ele explica as diferenças entre os dois em questões ambientais. “O café lavado pode ser mais fácil de vender globalmente, mas ele usa significativamente mais água do que o natural, que resulta em quase nenhuma água residual”.

Novamente, é importante notar que, em comparação com a agricultura de grande escala, os pequenos agricultores são responsáveis por uma quantidade significativamente menor de subprodutos nocivos e, caso haja, um pequeno volume de águas residuais. 

O processamento natural é indiscutivelmente a técnica de processamento mais ecológica, pois é menos intensiva em energia e requer pouca ou nenhuma água. Isso ocorre por as cerejas serem colhidas e, em seguida, deixadas para secar totalmente intactas em pátios ou terreiros suspensos.  

Por conta de seu elevado uso de água, o café lavado acaba sendo visto como menos sustentável. Nele, as cerejas são submersas em tanques de água antes de serem despolpadas.

A questão das águas residuais

Embora o processamento lavado possa resultar em um café de sabor mais limpo, ele também produz volumes maiores de águas residuais do que o processamento natural.

No entanto, mesmo que um pequeno produtor esteja exclusivamente a realizar o processamento lavado, é improvável que, por si só, cause uma quantidade significativa de danos ao ambiente.

Jesse Winters é o fundador da Conservation Coffee, que fornece café cultivado à sombra de fazendas orgânicas. Segundo ele, se as águas residuais não forem gerenciadas corretamente, elas podem poluir rios, riachos e lagos, aumentando a carga biológica. “Isso pode ser devastador para a vida selvagem marinha e de água doce”, ele diz.

Uma alta carga biológica pode levar faz com que fitoplanctons, como algas, cresçam nos leitos aquáticos. Isso impede o oxigênio e a luz solar de alcançarem o fundo dos rios, matando peixes e outros animais selvagens.

A polpa é outro subproduto do processamento do café a ser considerado, não importa qual método seja usado. Assim como as águas residuais, se não forem descartadas de forma inadequada, ela também pode poluir os sistemas de terra e água.

Trabalhador colhendo café - questões ambientais na cafeicultura

Problemas ambientais ao longo da cadeia produtiva do café

Embora os produtores de café possam ser incentivados a utilizar mais fertilizantes orgânicos ou a gerir os resíduos de uma forma mais sustentável, os esforços ambientais na indústria cafeeira têm de ir muito mais longe.

É óbvio que todos os intervenientes na cadeia de abastecimento têm de assumir mais responsabilidades na redução do impacto ambiental da indústria do café. Temos de reconhecer que, para além da produção e da exportação, existem outras áreas da cadeia igualmente responsáveis por questões ambientais.

A torrefação pode produzir emissões de gases de efeito estufa, como dióxido e monóxido de carbono. Enquanto alguns torradores modernos agora incluem sistemas de reciclagem de ar embutidos, modelos mais antigos normalmente emitem esses gases para a atmosfera.

Além disso, o volume de resíduos produzidos por cafeterias é uma grande preocupação para muitas pessoas. Pode ser difícil ou impossível reciclar copos de café descartáveis, e muitos acabam sendo enviados para aterros. Lá, em condições anaeróbicas, pode levar centenas de anos para que eles se decomponham.

Quando a qualidade também passa por questões ambientais

Steffen acredita que parte da responsabilidade de reduzir o impacto ambiental é dos consumidores. De acordo com ele, os consumidores precisam exigir mais qualidade e estar dispostos a pagar por ela. “Eles devem pagar pela qualidade que querem ter e comprar cafés que não causem nenhum dano ao meio ambiente”, ele diz.

“As decisões individuais desempenham um papel importante”, acrescenta. “Por exemplo, os consumidores podem pressionar as empresas maiores para estarem mais atentas ao meio ambiente.”

Nos últimos anos, muitas empresas de café maiores se comprometeram a compensar suas emissões e reduzir seu impacto ambiental, incluindo a Starbucks e a Nespresso. No entanto, é evidente que mais trabalho precisa ser feito – especialmente quando essas empresas ainda contribuem significativamente para a quantidade de resíduos produzidos.

Ritesh concorda, dizendo: “Precisamos que as pessoas nas empresas maiores agreguem mais valor – os agricultores também precisam adicionar pressão a essas empresas.”

Outras partes interessadas importantes da indústria também precisam desempenhar um papel, uma vez que a legislação e as políticas podem ajudar a reforçar os esforços de conservação na produção de café.

Por exemplo, a União Europeia aplicou recentemente novas regras obrigatórias de diligência aos exportadores e comerciantes para deixarem, gradualmente, de adquirir café que esteja ligado ao desmatamento na origem. “A legislação governamental pode ajudar, mas a mudança precisa ser liderada por empresas e consumidores com visão de futuro”, diz Ritesh.

Trabalhadores da produção de café

Considerando as soluções para os problemas ambientais

Alguns agricultores estão mudando para práticas agrícolas mais ecológicas, como a agricultura sintrópica e a agrofloresta.

Já se sabe que o cultivo sombreado pode resultar em cafés de alta qualidade em todos os aspectos, além de promover a biodiversidade. Isso também pode fornecer aos agricultores métodos naturais de controle de pragas, pois pássaros e pequenos animais podem comer insetos que interferem nas plantas de café.

Além disso, o aumento do número de plantas de café cultivadas à sombra resulta em menos desmatamento, sequestra mais dióxido de carbono e geralmente requer menos uso de insumos químicos, como fertilizantes.

Ritesh diz que a Spring Valley é parceira de um programa de conservação. Ele diz que para cada saco de café vendido, 50% do lucro bruto é doado para o programa. “Trabalhamos com a Seedballs Kenya”, explica. “Usando esse dinheiro, plantamos cinco mudas de árvores nativas em uma área da qual obtemos.”

Quanto aos métodos de processamento, técnicas de gerenciamento adequadas podem ajudar a reciclar ou reutilizar águas residuais e polpa descartada. Quando tratada corretamente, as águas residuais podem ser usadas para irrigação ou retornarem a fontes naturais de água. Da mesma forma, quando, a polpa de café pode ser reaproveitada como biocombustível ou fertilizante orgânico.

As questões financeiras

No entanto, para muitos produtores (principalmente os pequenos), essas mudanças podem exigir um investimento significativo, com prazo de retorno incerto. Por exemplo, embora a agricultura orgânica possa ser mais sustentável, também pode resultar em rendimentos menores.

As maiores empresas de café também têm um papel importante a desempenhar na redução do impacto ambiental. Entre algumas delas, conceitos como compensação de carbono e Carbono Circular vêm tendo destaque.

Carbono circular é o processo de organizações que reduzem as emissões líquidas de carbono dentro de suas próprias cadeias de suprimentos. Já a compensação é quando adquirem créditos de carbono para equilibrar suas emissões, muitas vezes olhando além de seus fornecedores ou mesmo para outros setores para fazê-lo.

Além disso, embora a sustentabilidade ambiental em nível agrícola seja certamente necessária, também é importante destacar o papel das certificações. Elas são comuns na indústria do café, especialmente aquelas que exigem que as empresas de café implementem práticas mais sustentáveis. Por exemplo, as certificações orgânicas têm regulamentos rigorosos para os agricultores – principalmente no que diz respeito à ausência de insumos químicos.

Questões envolvendo certificações

No entanto, Jesse enfatiza que os consumidores precisam prestar atenção ao que as certificações realmente significam. “Os consumidores devem comprar café de empresas que passaram por muitos controles para receber suas certificações”, diz.

Muitos pequenos produtores podem já estar realizando práticas orgânicas em suas fazendas de café. No entanto, como a obtenção de certificações pode ser cara, alguns agricultores podem não conseguir se candidatar – o que significa que estão retendo menos valor.

Em última análise, Ritesh acredita que o impulso para a conservação ambiental na produção de café se resume a saber se os clientes estão dispostos a pagar mais. “Usar sacos compostáveis, produzir café cultivado à sombra ou implementar práticas agrícolas orgânicas custa mais dinheiro – o cliente final precisa estar disposto a pagar por isso”, conclui.

Fazendeiro observa plantação deteriorada por problemas ambientais

Embora mudanças sustentáveis tenham sido feitas nos últimos anos, é claro que mais legislação, investimento e conscientização são necessários para resolver algumas das questões ambientais relacionadas à produção de café. Também não podemos ignorar as implicações financeiras de fazer essas mudanças no nível da fazenda – especialmente no que diz respeito aos pequenos agricultores.

Em última análise, há sinais de que as coisas continuarão a melhorar, mas com a pressão crescente da ameaça das alterações climáticas, uma coisa é clara: a necessidade de mais mudanças substanciais está certamente aumentando. 

Gostou? Em seguida, experimente nosso artigo sobre se a qualidade do café e a sustentabilidade ambiental andam de mãos dadas.

Créditos das fotos: Peter Gakuoh, Mauhobaah Butt

PDG Brasil

Traduzido por Daniela Melfi

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A agricultura regenerativa na produção de café https://perfectdailygrind.com/pt/2023/03/15/agricultura-regenerativa-no-cafe/ Wed, 15 Mar 2023 11:03:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=12469 Não há como questionar que a demanda por café sustentável está em alta. Agora, mais do que nunca, marcas e consumidores percebem a importância de cultivar, comprar e beber café que seja social e ambientalmente sustentável. Há uma série de razões complexas que impulsionam esse foco. No entanto, uma das mais importantes para o café sustentável […]

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Não há como questionar que a demanda por café sustentável está em alta. Agora, mais do que nunca, marcas e consumidores percebem a importância de cultivar, comprar e beber café que seja social e ambientalmente sustentável.

Há uma série de razões complexas que impulsionam esse foco. No entanto, uma das mais importantes para o café sustentável ambientalmente é a ameaça crescente das mudanças climáticas e o impacto que isso tem no setor cafeeiro. 

Quando falamos sobre a questão ambiental no café, o foco geralmente se volta para como podemos mitigar o impacto das mudanças climáticas. E isso pode se dar através de conceitos como a agrofloresta, revitalização de ecossistemas ou gerenciamento da saúde do solo. De modo geral, práticas como essas podem ser chamadas de agricultura regenerativa.

Então, o que queremos dizer quando falamos sobre agricultura regenerativa na cafeicultura? Para saber mais, conversei com quatro especialistas em sustentabilidade de café. Continue a ler para saber o que eles disseram.

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Trabalhador em fazenda de café sustentável

O que é agricultura regenerativa?

Ken Giller é professor de sistemas de produção de plantas na Universidade de Wageningen, na Holanda.

“Usou-se o termo ‘agricultura regenerativa’ pela primeira vez no Instituto Rodale, na década de 1980. O órgão se concentrava na agricultura orgânica à época”, diz ele. “Sua definição foi holística – considerando fatores como ciclos de nutrientes e saúde do solo.”

No entanto, apesar de essas práticas-chave terem sido estabelecidas e esclarecidas há algumas décadas, ainda não há uma definição comumente aceita de agricultura regenerativa. “Parece haver muito pouca concordância sobre o que as práticas regenerativas realmente são”, diz Ken.

Rejane Souza é vice-presidente de Conhecimento de Cultivos e Agronomia da Yara. Ela explica o princípio geral por trás da agricultura regenerativa na produção de café. “Trata-se de preparar os cafeicultores para se concentrarem na qualidade e na resiliência climática”, diz ela.

Barbara Novak, gerente de vendas técnicas globais de iniciativas da cadeia alimentar na Yara, acrescenta: “Na Yara, identificamos a agricultura regenerativa como clima, saúde do solo, eficiência de recursos, biodiversidade e prosperidade do produtor”.

Por fim, a agricultura regenerativa se concentra em equilibrar a conservação e a sustentabilidade ambiental, com a produção comercial de culturas como o café.

Segundo João Moraes, diretor de contas globais da Yara, a agricultura regenerativa tem que se basear em resultados e proporcionar aos agricultores melhores meios de subsistência, educando-os sobre as melhores práticas de produção. “Abordamos isso por meio de um certo número de fatores, incluindo saúde e fertilidade do solo, retenção de água, níveis de respiração no solo e níveis de biodiversidade”, ele afirma.

Mão de um trabalhador selecionando cerejas de café

Aumentar a rentabilidade e a sustentabilidade

Embora os modelos de agricultura comercial historicamente se concentrem no rendimento e na qualidade, a agricultura regenerativa se inclina para métodos mais naturais de produção de culturas circulares.

“Holisticamente, a agricultura regenerativa se concentra em criar harmonia entre os três pilares da sustentabilidade: econômico, ambiental e social”, explica Barbara, que acrescenta: “Assim, isso significa que a qualidade e os rendimentos do café podem melhorar, enquanto o rastro de carbono cai e a eficiência do uso da terra aumenta”.

Segundo ela, há uma relação de ‘causa e efeito’ entre esses três pilares, o que provavelmente também afetará positivamente a lucratividade dos agricultores. “Por exemplo, a redução das emissões e a aplicação de fertilizantes resultantes em nutrição equilibrada, bem como os níveis certos de nitrogênio no solo, também influenciarão o rendimento em conformidade”, ela diz.

Os níveis ideais de nitrogênio no solo também podem afetar a qualidade do café. Pesquisas da Yara descobriram que tanto as plantas de café com deficiência de nitrogênio quanto as super fertilizadas acabaram tendo uma pontuação mais baixa na xícara. 

Uma nova mentalidade

Segundo João, essa é uma técnica e uma mudança de mentalidade sobre a agricultura que pode ajudar a reduzir a pegada de carbono da produção de café. “Ela também garante que a cadeia de suprimentos seja mais transparente e estabeleça uma meta básica para a futura produção sustentável de café”, diz.

“Aumentar a resiliência dos agricultores às mudanças climáticas por meio da agricultura regenerativa serve apenas para salvaguardar a produção e a qualidade do café. Isso é fundamental para garantir a estabilidade financeira dos produtores de café”, João acrescenta.

No entanto, Ken ressalta que a implementação de práticas agrícolas regenerativas nem sempre é simples. “Pode ser difícil entender como a agricultura regenerativa pode afetar a produtividade e a qualidade do café. Em primeiro lugar, você precisa entender mais sobre as condições atuais que está tentando melhorar”, diz.

“Por exemplo, em certos países africanos, reduzir certos insumos agrícolas para ser mais sustentável pode ser prejudicial para os agricultores. Se você quiser melhorar a produtividade, precisará usar mais insumos, como fertilizantes”, Ken acrescenta.

Trabalhador colocando fertilizante em um pé de café

Nutrição das culturas, fertilizantes e agricultura regenerativa

Em 2020, a Comissão Europeia informou que a agricultura orgânica na Europa abrangeu cerca de 14,7 milhões de hectares de terras agrícolas – e este número deverá aumentar nos próximos anos.

Considerando o aumento da agricultura orgânica, é importante perguntar qual é a diferença entre isso e a agricultura regenerativa.

Barbara explica que, de modo geral, a cafeicultura orgânica é muito menos flexível. “Como não há padrões da indústria sobre o uso de fertilizantes na agricultura regenerativa, os fertilizantes minerais são comumente usados para melhorar a produtividade do café e a fertilidade do solo”, diz.

Ela acrescenta que a agricultura regenerativa é mais focada em resultados, considerando os meios de subsistência socioeconômicos dos produtores e a capacidade de longo prazo de cada fazenda.

Paralelamente, há também uma ênfase significativa na sustentabilidade ambiental. “A agricultura orgânica é definida por um conjunto de padrões e práticas, enquanto a agricultura regenerativa adota uma abordagem diferente. Ela considera os resultados, como melhorias na saúde do solo, eficiência de nutrientes e pegada de carbono”, diz ela.

A importância do uso correto de fertilizantes

“Os fertilizantes geralmente estão prontamente disponíveis e acessíveis na maioria dos países produtores de café. No entanto, muitas vezes são subutilizados ou mal utilizados”, diz João.

Quando aplicados incorretamente, os fertilizantes podem ser ineficazes, potencialmente fazendo com que os rendimentos ou a qualidade caiam. Outra observação feita é que a aplicação incorreta também pode ter um impacto ambiental, tanto na saúde imediata do solo quanto no rastro de carbono de quaisquer insumos agrícolas desperdiçados.

João acrescenta que a maximização da eficiência do uso de nitrogênio (NUE) também é importante para a agricultura regenerativa. A NUE é uma medida de quão eficazes são os insumos de nitrogênio no que diz respeito ao solo, e maximizá-la significa que os agricultores não estão desperdiçando ou aplicando-a em excesso – e, assim, melhorando a saúde do solo a longo prazo.

“Os produtores devem aplicar fertilizantes de forma equilibrada, considerando quatro etapas do processo: a quantidade e o momento da aplicação do fertilizante precisam estar corretos, bem como a fonte e o local em que é aplicado”, explica Barbara.

Ela ainda acrescenta: “Esses quatro fatores afetarão a qualidade do café, o que, no que lhe concerne, pode ajudar os agricultores a acessar mais mercados premium. É uma oportunidade para eles prosperarem.”

Outros pontos a serem considerados sobre o uso de fertilizantes

Além disso, existem algumas outras considerações que devemos considerar ao usar fertilizantes no contexto mais amplo da cultura regenerativa do café.

Rejane explica que o uso de fertilizantes pode ajudar a melhorar a produtividade e a eficiência da terra das plantas de café. “Os fertilizantes adequadamente aplicados também podem aumentar a resiliência das culturas a estressores ambientais, como calor, seca e doenças”, diz.

“Isso também significa potencialmente um movimento gradual para aumentar o sequestro de carbono, melhorar os rendimentos por hectare e melhor uso dos recursos”, acrescenta Barbara.

Isso pode ser especialmente eficaz quando consideramos o impacto das mudanças climáticas – que está forçando cada vez mais os cafeicultores nas áreas afetadas a subir mais alto em busca de temperaturas adequadas, mudar para variedades mais resilientes ou até mesmo abandonar completamente a produção de café.

“Programas de nutrição de culturas mais equilibrados podem resultar em menos aplicação de fertilizantes por hectare. E aplicando essas quantidades menores da maneira correta é possível melhorar o rendimento e a qualidade”, diz Barbara. “Isso significa que o conhecimento e a experiência são essenciais – ainda mais quando se usa fertilizantes na agricultura regenerativa.”

Trabalhadora selecionando grãos de café em terreiro suspenso

Como podemos dimensionar a agricultura regenerativa na cafeicultura?

Em muitos casos, há uma clara preocupação com muitos modelos agrícolas que se concentram diretamente na sustentabilidade: a escalabilidade.

Há um argumento de que, embora sejam mais acessíveis para fazendas de médio e grande porte lucrativas, são menos acessíveis para pequenos agricultores, para quem a lucratividade é uma questão de subsistência e sobrevivência. 

Como os agricultores são os únicos que geralmente acabam pagando por qualquer mudança importante nos métodos de cultivo, este é um ponto importante e um grande obstáculo à adoção mais ampla.

Comunidades menores e mais remotas de cultivo de café também podem ter acesso limitado a suporte e infraestrutura.

“A agricultura regenerativa é muitas vezes inicialmente mais cara do que as práticas comerciais mais convencionais de cultivo de café”, reconhece Barbara.

Ela ainda acrescenta: “Os agricultores geralmente suportam o peso desses custos adicionais, enquanto mais valor é gerado ao longo da cadeia de suprimentos”. Ainda segundo Barbara, as práticas agrícolas regenerativas criam mais valor para as empresas de café. “Elas ajudam as marcas a alcançar alguns de seus objetivos sustentáveis mais adiante na cadeia de suprimentos”, afirma.

A agricultura regenerativa como agregador de valor às marcas de cafés

Como ela explica, enfatizar as iniciativas de responsabilidade social está se tornando uma tendência crescente para as marcas de café. Isso pode significar que há pressão para que os produtores adotem práticas sustentáveis ou sejam “deixados para trás” – o que quer dizer ter acesso reduzido ao mercado.

“Por esta razão, é fundamental que as empresas desenvolvam programas de incentivo para apoiar os agricultores na transição para práticas agrícolas regenerativas, bem como no monitoramento dos resultados”, diz ela.

“A transição para a agricultura regenerativa exigirá novos modelos de financiamento e ferramentas digitais para aconselhar os produtores na realização de novas práticas agrícolas. Isso além de ajudar a monitorar os resultados”, acrescenta. “A Yara está trabalhando ativamente com os atores da cadeia de suprimentos de café. Desenvolvemos novos modelos de negócios para criar oportunidades para os produtores de café. Assim como ferramentas digitais para medir a saúde do solo, os rendimentos do café, a eficiência do uso da terra e a pegada de carbono”, conclui Barbara.

Contextualizando o caso de cada fazenda

Além disso, Ken ressalta que a escalabilidade não é uma questão geral. Ele observa que a viabilidade da agricultura regenerativa dependerá de uma série de fatores que variam muito de fazenda para fazenda. 

“Integrar mais árvores de sombra pode ser benéfico, mas isso depende da localização da fazenda”, diz Ken. “As árvores que fixam o nitrogênio, podem ajudar a apoiar a produção de café, fornecendo melhor cobertura do solo, mas os agricultores precisam ter cuidado para que essas árvores não concorram com as plantas de café por água durante as estações mais secas.”

E ainda, Barbara acredita que a agricultura de café regenerativa é possível para muitos agricultores.

“Qualquer produtor pode adotar práticas agrícolas regenerativas”, diz Barbara. “Considerando o impacto que a agricultura em larga escala tem no meio ambiente, todos temos a responsabilidade de incentivá-la. “Garantir que a agricultura regenerativa seja lucrativa para o agricultor passa por uma abordagem colaborativa para que os custos adicionais possam ser distribuídos uniformemente”, acrescenta.

O apelo do café sustentável no mercado

Rejane, entretanto, enfatiza que esse foco na sustentabilidade pode acabar sendo uma vantagem única. Ela explica que, embora haja pressão para que os produtores “acompanhem” uma tendência como essa, isso pode realmente torná-los mais lucrativos e competitivos a longo prazo.

“Os consumidores estão exigindo café mais sustentável. Sendo assim, a agricultura regenerativa pode ajudar os agricultores a garantir que eles permaneçam competitivos no mercado internacional de café”, diz Rejane.

Ainda segundo ela, a adoção dessas práticas ajuda os produtores a se prepararem para quaisquer possíveis mudanças na regulamentação que possam vir para as certificações no futuro. “Para que a agricultura regenerativa tenha sucesso, é necessária uma abordagem por etapas, para permitir que os agricultores façam mudanças”, conclui.

Grãos de café na mão de um trabalhador

É claro que a agricultura regenerativa tem seus benefícios para os cafeicultores que buscam aumentar a qualidade e os rendimentos de uma maneira sustentável e circular que melhore o ecossistema local e gerencie a saúde do solo. 

Embora a escalabilidade e a acessibilidade dos preços sejam uma barreira para os pequenos agricultores, se surgirem apoio e iniciativas, os produtores terão cada vez mais poder para implementar esta e outras técnicas sustentáveis semelhantes na sua exploração. 

Além disso, com o ambiente no topo da lista de preocupações dos consumidores, é claro que o mercado de café sustentável só continuará a crescer. 

Gostou? Em seguida, leia o nosso artigo sobre como explorar a qualidade, a rentabilidade e a nutrição das culturas para os produtores de café.

PDG Brasil

Traduzido por Daniela Melfi

Observação: a Yara é patrocinadora do Perfect Daily Grind.

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Como as cafeterias podem reduzir o desperdício de copos descartáveis? https://perfectdailygrind.com/pt/2023/03/08/reduzir-desperdicio-copos-descartaveis/ Wed, 08 Mar 2023 11:04:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=12431 Copos descartáveis são usados por cafeterias em todo o mundo. No entanto, com os consumidores cada vez mais conscientes de seu impacto ambiental, é claro que cada vez mais empresas precisam se adaptar e se afastar dos copos descartáveis. Segundo a Clean Water Action, só os EUA consomem cerca de 130 mil milhões de copos descartáveis […]

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Copos descartáveis são usados por cafeterias em todo o mundo. No entanto, com os consumidores cada vez mais conscientes de seu impacto ambiental, é claro que cada vez mais empresas precisam se adaptar e se afastar dos copos descartáveis.

Segundo a Clean Water Action, só os EUA consomem cerca de 130 mil milhões de copos descartáveis por ano. Como eles são difíceis de reciclar, também podemos concluir que a maioria desses copos acaba indo para o aterro, onde contribuem para o crescente problema de gestão de resíduos.

No entanto, em resposta à questão do desperdício dos copos descartáveis, algumas cafeterias agora oferecem descontos para clientes que levam suas próprias xícaras reutilizáveis, bem como outros esquemas de troca. Mas como funcionam essas iniciativas? E quais são os benefícios?

Para descobrir, conversei com quatro profissionais de café envolvidos no programa de xícara reutilizável HuskeeSwap. Continue lendo para saber mais sobre o que eles têm a dizer. 

Você também pode gostar do nosso artigo sobre por que a reciclagem de copos de café descartáveis é tão difícil.

Copos descartáveis acumulados em lata de lixo

Por que os copos descartáveis são um problema?

Há uma série de questões de sustentabilidade em toda a cadeia de fornecimento de café, mas nenhuma recebeu o mesmo nível de atenção que os copos descartáveis.

Muitos copos descartáveis são fabricados usando plásticos à base de petróleo, como isopor, polipropileno ou papel revestido com polietileno. Embora esses materiais sejam úteis para reter o calor e evitar vazamentos, eles consomem muita energia para serem fabricados e não são facilmente reciclados.

Estima-se que são necessárias cerca de 20 milhões de árvores e 12 bilhões de galões de água para produzir 58 bilhões de copos de papel por ano. Além disso, um estudo realizado pela empresa de testes de produtos Intertek descobriu que o rastro de carbono de produzir, usar e descartar apenas um copo descartável é o equivalente a mais de 60g de dióxido de carbono.

Ao considerar a escala de uso de copos descartáveis em todo o mundo, as emissões são, no mínimo, preocupantes. Além disso, mesmo quando descartados, os copos descartáveis continuam a ser um grande problema ambiental.

Especialistas acreditam que os copos de café descartáveis podem levar até 30 anos para se decompor devido aos baixos níveis de oxigênio, calor e fluxo de ar em condições de aterro.

Em resposta a essas preocupações, vimos vários países começarem a implementar proibições de plástico de uso único. Em 2019, os líderes de 170 países se comprometeram a “reduzir significativamente” o uso de plásticos (incluindo copos de café descartáveis) até 2030.

Nos três anos desde então, as Nações Unidas também elaboraram seu mandato de poluição plástica final  que poderia ver os líderes globais pressionarem por uma redução ainda maior de plásticos e copos descartáveis.

Pessoa segurando copos plásticos descartáveis sujos

É possível reciclar copos descartáveis?

À medida que mais e mais países implementam proibições em copos e plásticos de uso único, vimos o número de alternativas biodegradáveis, compostáveis e recicláveis aumentar. No entanto, essas alternativas de copo descartáveis também têm seus problemas próprios, especialmente quando se trata de descarte.

Um relatório de 2017 do Comitê de Auditoria Ambiental da Câmara dos Comuns do Reino Unido descobriu que apenas um em cada 400 copos descartáveis são devidamente reciclados no Reino Unido. Isso significa que a maioria deles vai direto para o aterro, independentemente de serem ou não recicláveis.

Muitos copos de uso único são feitos de isopor, polietileno ou polipropileno, sendo todos difíceis ou impossíveis de reciclar. No entanto, mesmo copos de café à base de papel são difíceis de reciclar.

Isso acontece porque a maioria deles é revestida com plástico para evitar vazamentos. Muitas instalações de reciclagem em todo o mundo não têm a infraestrutura adequada para separar os materiais, o que geralmente significa que os copos acabam indo para aterros.

Além disso, embora os copos de uso único biodegradáveis e compostáveis sejam projetados para se decompor mais rapidamente, isso depende muito de como eles são descartados. 

Em condições adequadas, a legislação da UE exige que os materiais compostáveis para uso industrial biodegradem completamente no prazo de seis meses. No entanto, em ambientes de aterro anaeróbio, copos compostáveis e biodegradáveis podem permanecer intactos por anos.

vista traseira de uma máquina de espresso com copos reutilizáveis em cima

Esquemas de trocas de copos reutilizáveis

Com as proibições de copos descartáveis se tornando mais comuns em todo o mundo, muitas cafeterias buscam maneiras de reduzir seu uso. Uma das soluções mais comuns é a troca de copos reutilizáveis, que vem sendo usada por cada vez mais redes e estabelecimentos.

Por exemplo, a Starbucks está testando seu esquema de empréstimo de xícara em suas lojas em Seattle, Japão, Cingapura e Londres. A empresa também conseguiu eliminar todo o uso de copos descartáveis em 16 de suas lojas na Coreia do Sul.

Michael McFarlane é o Chefe de Vendas e Marketing da Huskee, que projeta e fabrica copos reutilizáveis com um programa de troca de associados.

“Os esquemas de troca de xícaras de café oferecem uma solução para as cafeterias”, ele me diz. “Eles podem continuar a servir cafés para viagem, mesmo com proibições e taxas para copos descartáveis entrando em vigor em todo o mundo.”

Além dos esquemas de marcas maiores, também houve uma adoção recente de programas de troca de copos reutilizáveis em muitas cafeterias de menor porte. Um exemplo é o esquema HuskeeSwap, que está ativo em mais de 1.000 estabelecimentos em 22 países.

Como funciona o HuskeeSwap

Para participar, um cliente simplesmente compra um HuskeeCup (se ainda não tiver um) e o entrega ao barista para preparar seu café em uma cafeteria participante. Após terminarem a bebida, eles devolvem a xícara ao barista na próxima vez que pedirem, que depois a troca por uma xícara pré-lavada cheia com seu pedido de café, economizando o tempo do cliente na lavagem da xícara.

Michael explica mais sobre como esse sistema funciona. “As cafeterias possuem uma prateleira giratória de HuskeeCups pré-lavados, então eles trocam um copo quando um cliente pede”, diz ele. “Todos os copos trocados são então lavados para reabastecer a prateleira.”

Cyrus Hernstadt é o Diretor de Comunicações da Think Coffee, uma torrefação em Nova York que também participa do esquema HuskeeSwap. “Nossa equipe lava e higieniza os copos usados deixando-os prontos para o próximo uso. Isso poupa o tempo dos clientes assim como impede o descarte dos copos em aterros.”

Embora muitos clientes tenham suas próprias xícaras reutilizáveis, as visitas às cafeterias muitas vezes não são programadas. Isso significa que os consumidores acabam por esquecer de trazê-las. Além disso, lembrar de limpar o copo pode ser um problema para alguns clientes.

Jay Yu é o barista-chefe da Campus Life, que opera várias cafeterias na Universidade Macquarie em Sydney, Austrália. Ele diz que desde que a cafeteria aderiu ao esquema HuskeeSwap, 75% de suas bebidas foram preparadas em copos reutilizáveis.

“Como cliente, tudo o que você precisa fazer é fazer uma compra única de um copo e tampa Huskee. Então é possível levá-lo a qualquer cafeteria que participe do esquema HuskeeSwap. Como dono de uma cafeteria ou barista, você só precisa coletar o copo usado e trocá-lo por um limpo”, acrescenta.

Equívocos durante a pandemia de Covid-19

Antes da pandemia, os programas de troca de copos reutilizáveis estavam se tornando cada vez mais populares. Infelizmente, como resultado da Covid-19, muitas cafeterias tiveram que parar de aceitar copos reutilizáveis devido a preocupações sobre a propagação do vírus.

No entanto, nos últimos dois anos, as autoridades de saúde global confirmaram que não há transmissão da Covid-19 por meio de itens alimentares reutilizáveis, como xícaras de café. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA afirmaram que não houve registro de nenhum caso de Covid-19 transmitido por contato superficial.

Com os procedimentos corretos de limpeza e higienização em vigor, os esquemas de troca de xícaras de café, como o HuskeeSwap, podem continuar trabalhando para reduzir o desperdício de xícaras descartáveis.

Máquina de café espresso com copos reutilizáveis em cima

Como as iniciativas de copos reutilizáveis podem beneficiar as cafeterias?

Julia Auchey é a Diretora de Marca da 92 Degrees, uma torrefadora do Reino Unido que participa do programa HuskeeSwap.

“Desde que aderiu ao esquema HuskeeSwap, houve muito interesse nos próprios copos, o que naturalmente aumentou a conscientização sobre o desperdício de copos descartáveis”, diz ela.

“Muitos clientes nos fazem perguntas sobre de que os copos são feitos e por que os usamos. Essa pequena mudança em nossos cafés é outro passo para alcançar algumas das metas de sustentabilidade da nossa empresa”, acrescenta.

Além de reduzir o desperdício de copos descartáveis, há vários benefícios em implementar um esquema de troca de xícaras reutilizáveis em cafeterias.

Para baristas, esquemas de troca de copos reutilizáveis podem ajudar a melhorar o fluxo de trabalho. Em vez de ter que enxaguar a xícara reutilizável de um cliente, ele pode simplesmente trocá-la por uma das xícaras reutilizáveis pré-lavadas da cafeteria.

Além de ser mais conveniente, também é mais higiênico. “Ao lavar os copos em locais com altos padrões de segurança alimentar, a HuskeeSwap ajuda a reduzir o risco de contaminação cruzada. Com isso, evitamos seu transporte em transporte público, carro ou bolsa”, explica Michael.

Além disso, as iniciativas de troca de copos reutilizáveis são mais convenientes e acessíveis para muitos consumidores – especialmente se eles esqueceram de trazer seu próprio copo reutilizável e não querem usar um copo descartável. No caso da HuskeeSwap, o Cyrus explica que pode-se emprestar os copos ou armazená-los através do aplicativo.

“O aplicativo HuskeeSwap permite que os clientes deixem seus copos usados para um crédito eletrônico em um ponto de entrega designado, o que lhes poupa o incômodo de carregá-lo por aí”, explica Cyrus. “É uma coisa tão simples, mas remove uma das barreiras para mais pessoas optando por esquemas de troca de copos reutilizáveis.”

Casca de cerejas de café

Reduzir o desperdício em toda a cadeia de suprimentos

O desperdício de copos descartáveis é em grande parte um problema para cafeterias e consumidores. E isso ilustra como criar uma economia circular em toda a indústria do café também é importante.

“Cerca de 1,35 milhões de toneladas de resíduos de casca são gerados globalmente todos os anos”, diz Jay. A casca é um subproduto da cereja do café e inclui a pele seca e o joio.

Toda a linha HuskeeCup é feita de um polímero eco compósito exclusivo, que inclui o uso da casca de café descartada.

“Transformar resíduos em outros produtos úteis certamente inspirará mais produtores de café, torrefadores e consumidores a serem também mais sustentáveis”, acrescenta Jay.

Julia concorda, dizendo: “Iniciativas como a HuskeeSwap podem aumentar a sustentabilidade ao longo da cadeia de suprimentos – especialmente à medida em que a pandemia aumentou nosso uso de plásticos e copos de uso único.” 

Michael me fala sobre o programa HuskeeLoop, que visa garantir que mais de 90% de tudo o que Huskee faz seja coletado e reaproveitado em novos produtos, e que nenhum copo vá para aterro.  “É possível reciclar os copos através do nosso esquema de reciclagem em circuito fechado. E o nosso primeiro produto desta linha sendo lançado ainda este ano”, diz ele, observando que isso ajuda a reduzir ainda mais o desperdício. 

pessoa carregando copos descartáveis com bebida

Com mais e mais cafés adotando esquemas de xícaras reutilizáveis, podemos permanecer esperançosos de que o uso de copos de uso único na indústria de café começará a diminuir significativamente nos próximos anos.

“O verdadeiro poder de um esquema de troca de copos reutilizáveis é que ele incentiva as pessoas a participarem dele”, conclui Cyrus. “Ao fazer isso, ele faz uma pressão mais ampla por um setor de café mais sustentável.”

Gostou? Em seguida, leia nosso artigo sobre como criar um menu de alimentos para cafeterias que minimize o desperdício.

Créditos das fotos: Huskee

PDG Brasil

Traduzido por Daniela Melfi

Observação: a Huskee é patrocinadora do Perfect Daily Grind.

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Como reduzir emissões durante a torra do café? https://perfectdailygrind.com/pt/2023/02/01/reduzir-emissoes-durante-a-torra/ Wed, 01 Feb 2023 11:03:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=12181 Como reduzir as emissões durante a torra do café? Nos últimos anos, tornou-se cada vez mais importante que os torrefadores se concentrem na sustentabilidade – em termos de fornecimento de café rastreável e ético, bem como seu impacto ambiental. Justamente por isso, reduzir as emissões durante a torra se tornou uma missão significativa para todos […]

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Como reduzir as emissões durante a torra do café?

Nos últimos anos, tornou-se cada vez mais importante que os torrefadores se concentrem na sustentabilidade – em termos de fornecimento de café rastreável e ético, bem como seu impacto ambiental. Justamente por isso, reduzir as emissões durante a torra se tornou uma missão significativa para todos os profissionais da área.

Embora os esforços de sustentabilidade da indústria do café tendam a se concentrar mais na produção e nas cafeterias, também é importante considerar outros aspectos da cadeia de suprimentos, incluindo a torrefação.

Pensando assim, cada vez mais torrefadores estão trabalhando para reduzir suas emissões, bem como seus custos, investindo em máquinas mais eficientes e sustentáveis.

Para saber mais, conversei com o engenheiro de produção do fabricante de torrefadores IMF, Lorenzo Mosca, e com o gerente de vendas australiano da IMF, Will Notaras. Continue lendo para saber mais sobre como os torrefadores podem reduzir as emissões durante a torra e porque isso é tão importante.

Você também pode gostar do nosso artigo explorando o impacto ambiental da torrefação de café.

torrador de café azul

Questões de sustentabilidade na torra de café

Tal como acontece com qualquer outra área da cadeia de fornecimento de café, há uma série de preocupações de sustentabilidade sobre torrefação. Com a produção de fumaça e outras partículas nocivas, sem dúvida, os maiores problemas são as emissões de carbono e gases perigosos.

“Durante o processo de torra vários gases são liberados na atmosfera, incluindo dióxido de carbono, monóxido de carbono e óxido nitroso, além da poeira”, explica Lorenzo. “Em quantidades maiores, esses gases e partículas são prejudiciais à saúde humana e ao meio ambiente.”

Para os profissionais do café que muitas vezes trabalham em estreita proximidade com torrefadores, a exposição prolongada a esses gases e partículas pode ser perigosa. Além disso, sabe-se que as emissões de carbono têm um impacto significativo no aquecimento global.

“Em última análise, isso significa que as máquinas precisam incluir sistemas de redução de emissões”, acrescenta Lorenzo.

Agora, mais do que nunca, torrefadores de todo setor têm monitorado seus níveis de emissões, bem como procurado maneiras de reduzi-los. No entanto, para isso, os torrefadores precisam ter acesso a equipamentos especializados.

“Você pode testar as emissões dos torrefadores usando um analisador de gases de combustão”, diz Will.

“No entanto, os torrefadores também devem procurar a ajuda de especialistas que usam equipamentos apropriados para esse fim”, diz Lorenzo. “De fato, alguns torrefadores são obrigados a realizar esses testes com base nas leis de seus respectivos países.

”Como resultado da crescente necessidade de torrefadores para reduzir suas emissões, mais e mais fabricantes de torrefadores estão integrando tecnologias eficientes e sustentáveis em suas máquinas”, finaliza.

ambiente de uma torrefação de café

Por que os torrefadores precisam reduzir suas emissões?

Com os efeitos das mudanças climáticas se tornando cada vez mais intensos, é essencial que os torrefadores procurem maneiras de reduzir sua pegada de carbono. Pesquisas mostram que o aquecimento global está tendo um impacto significativo na produção de café: especialistas preveem que até 50% das terras adequadas para cultivo de café do mundo poderão diminuir de tamanho e adequação até 2050.

“Reduzir suas emissões significa que sua pegada de carbono é menor, o que é muito melhor para o meio ambiente”, explica Will. “Também pode reduzir o consumo de gás, portanto, suas contas de energia também podem diminuir.”

Como resultado da crise energética em curso, muitas cafeterias e torrefações em todo o mundo estão lidando com altos preços de gás e eletricidade. Contudo, investir em máquinas mais eficientes e sustentáveis poderia ajudar a manter esses custos baixos.

Inovações pela sustentabilidade

Alguns equipamentos para torrefação mais novos e mais modernos incluem tecnologias energeticamente eficientes, como sistemas de recirculação de calor, por exemplo.

“Na IMF, investimos em pesquisa para desenvolver tecnologias sustentáveis inovadoras”, diz Lorenzo. “Um exemplo é o sistema de recirculação de calor, que recicla o ar quente limpo usando uma câmara de aquecimento de função dupla.”

Will explica como essa tecnologia funciona: “A máquina usa um único queimador para incinerar simultaneamente as emissões e criar a fonte de calor para torrar os grãos, resultando em menores emissões e menor consumo de gás”, diz ele.

“Essa tecnologia consegue gerar energia usada no processo de torrefação e reduzir as emissões simultaneamente, reduzindo assim os custos de energia e produção”, diz Lorenzo.

Além disso, à medida que a sustentabilidade se torna cada vez mais importante para os consumidores de café, os torrefadores precisam levar isso em consideração para se manterem competitivos.

“Para torrefadores, há vários benefícios em usar máquinas e equipamentos mais ecológicos”, diz Lorenzo. “Por exemplo, mostra aos clientes que eles estão comprometidos em reduzir seu impacto ambiental, o que é especialmente importante para as gerações mais jovens.”

Na verdade, a pesquisa mostrou que os consumidores da geração Z estão dispostos a gastar até 10% mais em produtos sustentáveis – incluindo café. Além disso, como os millennials, os consumidores da geração Z são muito mais propensos a priorizar fatores sociais e ambientais como parte de suas decisões de compra. “Assim, investir em máquinas mais eficientes e ecológicas significa que você está adotando práticas de negócios mais sustentáveis”, acrescenta Lorenzo.

ambiente de uma torrefação - como reduzir as emissões durante a torra

Como as torrefações podem reduzir suas emissões?

Existem várias maneiras de os torradores reduzirem suas emissões, mas um dos métodos mais notáveis é investir em uma máquina mais sustentável.

“Os torrefadores mais tradicionais e mais antigos usam um queimador para criar calor para torrar os grãos e, em seguida, usam um queimador separado (ou pós-combustão) para incinerar as emissões”, diz Will. No entanto, o pós-combustor libera níveis mais altos de gases de efeito estufa na atmosfera.

“Isso ocorre porque ele usa volumes mais altos de gás do que a máquina precisa para torrar os grãos, bem como a alta temperatura necessária para incinerar as emissões”, acrescenta. “Os torrefadores da IMF usam apenas um queimador para realizar ambas as funções, o que reduz o consumo de gás e as emissões.”

Will explica que, ao investir em uma nova máquina, os torrefadores devem procurar vários recursos importantes.

“A tecnologia de recirculação de calor é essencial para reduzir o consumo de gás e as emissões”, diz ele. “Além disso, usamos um sistema patenteado de vórtice e equalizador que permite perfis de torra mais consistentes.”

No entanto, para torrefadores menores, pagar o custo inicial para comprar uma nova máquina pode ser impeditivo. Além disso, mudar de um torrador mais tradicional para uma máquina mais nova pode ter um grande impacto nos perfis de torra – forçando os torrefadores a mudar significativamente sua forma de torrar o café.

Lorenzo explica que, nesses casos, os torrefadores podem investir em componentes adicionais mais eficientes para suas máquinas

“Existem opções para atualizar a máquina que está em uso para que você possa reduzir suas emissões”, diz ele. “Isso pode incluir a instalação de vários sistemas diferentes de redução de gás, como conversores térmicos ou catalíticos”.

Os sistemas de redução de gases ajudam a alterar a composição química dos gases, reduzindo ou removendo efetivamente as emissões nocivas e os poluentes atmosféricos.

“Instalar esses sistemas significa que os torrefadores podem estar em conformidade com quaisquer regras e regulamentos de emissões, além de reduzir seu consumo de energia”, acrescenta Lorenzo.

Alternativas para reduzir a pegada de carbono

Ele também explica outras maneiras pelas quais os torrefadores podem reduzir sua pegada de carbono, o que também inclui ajustar seus perfis de torrefação.

“Com máquinas mais tradicionais, os níveis de emissão tendem a ser mais altos quando você torra em temperaturas mais elevadas ou com perfis de torra mais escuros”, diz ele. “Se você quiser reduzir suas emissões, tente baixar a temperatura ou o tempo total de torra, bem como torrar em perfis de torra mais médios.”

Além disso, Lorenzo explica por que os sistemas de ventilação são tão importantes para tornar a torrefação mais sustentável e eficiente.

“Sistemas de ventilação mais flexíveis facilitam o gerenciamento do fluxo de ar durante o processo de torrefação”, ele me diz. “Eles reduzem os volumes de ar, especialmente na parte final do processo, o que pode ajudar a reduzir o nível de emissões liberadas na atmosfera.

“Os torrefadores também devem limpar chaminés e dutos regularmente para mantê-los livres de óleos e outras partículas para reduzir as emissões”, acrescenta.

Por fim, qualquer torrefador que queira minimizar suas emissões deve começar revisando sua configuração – e procurando por qualquer equipamento ineficiente ou de baixo desempenho.

Torrador de café

Não há como negar que o foco da indústria do café na sustentabilidade se tornará cada vez mais prevalente nos próximos anos. Como parte disso, a necessidade de os torrefadores investirem em máquinas mais eficientes em termos energéticos só aumentará.

No entanto, além de reduzir suas emissões, o uso de máquinas mais modernas geralmente significa que os torrefadores também podem reduzir custos melhorando a eficiência energética – sendo especialmente importante em momentos como esses.

Gostou? Em seguida, leia nosso artigo sobre como os torrefadores de café podem projetar um espaço de torrefação atraente e eficiente.

Créditos das fotos:  IMF, Roasting Warehouse

PDG Brasil

Traduzido por Daniela Melfi

Observação: a IMF é patrocinadora do Perfect Daily Grind.

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