Por que os produtores de café precisam de melhor acesso à tecnologia para atingir metas de emissões de carbono?
Para garantir um futuro sustentável para a indústria do café, reduzir as emissões de carbono é essencial. Embora todos os níveis da cadeia de suprimentos produzam emissões — de torrefações ao transporte de café — o foco geralmente está nas fazendas de café. Muitos concordariam que nunca foi tão importante minimizar o impacto ambiental da produção de café. Em janeiro de 2024, o serviço climático da União Europeia informou que o ano anterior foi o mais quente já registrado — impulsionado pelas mudanças climáticas induzidas pelo homem.
O aumento das temperaturas do ar e do mar, bem como padrões climáticos imprevisíveis e chuvas mais irregulares, certamente afetarão os produtores de café de maneiras cada vez mais desafiadoras. E com a crescente pressão para reduzir as emissões de carbono nas fazendas de café, a indústria precisa apoiar os produtores o máximo possível.
A tecnologia desempenha um papel fundamental nisso, e os cafeicultores precisam de um melhor acesso se quiserem cumprir as metas de emissões. Para saber mais, conversei com João Moraes, Tizita Sileshi e Miguel Amado, da fabricante de fertilizantes sustentáveis e empresa de soluções de nutrição agrícola, Yara. Continue lendo para obter mais sobre eles.
Você também pode gostar do nosso artigo sobre por que a saúde do solo é crucial para a agricultura regenerativa na produção de café.

A crescente necessidade de reduzir as emissões de carbono na produção de café
A crise climática representa uma séria ameaça para a produção global de café e para os meios de subsistência dos agricultores que dependem dela. Estudos recentes alertam para os impactos adversos das mudanças climáticas na cafeicultura, prevendo uma redução na produtividade e na qualidade do café devido a choques climáticos contínuos.
Os agricultores em todo o Cinturão do Grão, já estão enfrentando os efeitos das mudanças climáticas, incluindo padrões climáticos mais erráticos. Para garantir a sustentabilidade da indústria do café, é crucial que medidas sejam tomadas para reduzir o impacto ambiental da produção de café, particularmente no nível das fazendas.
Tizita Sileshi, diretora de cadeia alimentar e sustentabilidade da Yara Americas, destaca a importância de reduzir as emissões de carbono na cadeia de fornecimento de café. “À medida que o consumo global de café aumenta, a pressão sobre habitats e florestas se intensifica — enfatizando a necessidade urgente de adotar uma produção sustentável”, diz ela.
Além disso, as mudanças climáticas estão projetadas para impactar negativamente a produção global de café, com reduções na produtividade e alterações na adequação da terra para o cultivo. Estudos indicam que até metade das terras usadas para o cultivo de café de alta qualidade podem se tornar improdutivas até 2050, o que teria consequências devastadoras para a indústria.
“A pegada de carbono do café é substancial, com a produção contribuindo com mais da metade das emissões da cadeia de suprimentos, principalmente devido ao uso de água e fertilizantes”, diz Tizita. “A redução das emissões de carbono tornou-se uma prioridade crítica para mitigar o impacto no planeta e garantir um futuro mais sustentável para o cultivo e consumo de café.”
O acesso à tecnologia é fundamental para reduzir as emissões
A implementação de práticas sustentáveis nas fazendas de café já está ocorrendo em muitos países produtores, com resultados significativos. No entanto, sem acesso à tecnologia adequada para monitorar o verdadeiro impacto dessas medidas, os produtores podem ter dificuldade em entender como podem fazer melhorias adicionais.
Miguel Amado, diretor latino-americano de Inovação, Marketing e Excelência Empresarial da Yara, destaca que a tecnologia desempenha um papel fundamental no avanço dos esforços de sustentabilidade no café. “Tecnologia é crucial para desenvolver alternativas de insumos agrícolas de baixo carbono e para melhorar as decisões de gestão agrícola nas fazendas, permitindo a transição de modelos reativos para modelos preditivos”, diz.
A gestão agrícola reativa envolve a implementação de práticas em resposta a mudanças que já ocorreram, enquanto a gestão agrícola preditiva prevê e evita problemas antes que ocorram. João Moraes, diretor de novos negócios Ag na Yara Americas, destaca a importância da coleta e análise de dados, enfatizando que eles são essenciais para a sustentabilidade. “Com as emissões de carbono medidas por quilograma de café, a identificação de lacunas na produção ajuda a impulsionar a implementação de percepções e recomendações acionáveis com base na ciência e na pesquisa.
“Medir e relatar ao longo do tempo é fundamental para alcançar excelentes resultados e fornecer às partes interessadas da cadeia de valor visibilidade sobre seus principais indicadores de desempenho de sustentabilidade e compromissos com os consumidores”, acrescenta.
Apoio aos produtores através da melhoria do acesso à tecnologia
Nos últimos anos, houve melhorias significativas no acesso à tecnologia para os produtores de café em todo o mundo. E isso vem facilitando a conexão deles com os consumidores. No entanto, ainda há muito a ser feito para fortalecer esforços sustentáveis na cadeia de produção e reduzir as emissões de carbono nas fazendas de café.
“Para reduzir as emissões de carbono nas fazendas, precisamos integrar tecnologia e recursos financeiros em programas robustos de extensão agrícola”, diz Miguel. “Esses processos geralmente exigem mudanças drásticas, onde o apoio contínuo para acompanhar os agricultores desempenha um papel fundamental na obtenção do impacto necessário.”
Para que os produtores de qualquer porte implementem essas mudanças em suas práticas agrícolas, eles precisam de apoio de outros agentes da cadeia de suprimentos. “A jornada de descarbonização começa com o bem-estar, a dignidade e a prosperidade dos agricultores”, explica João.
“A grande maioria dos produtores precisa de mais apoio técnico e financeiro. E o principal impulsionador da descarbonização da produção de café é aumentar a produtividade e a qualidade. Isso está ligado à melhoria do acesso à tecnologia, para podermos identificar lacunas de produção e ajudar os agricultores na transição para práticas agrícolas mais regenerativas. E assim tornar seus negócios mais lucrativos”, acrescenta.
Ter conhecimento (e informação) é ter poder
O apoio à coleta e análise de dados na produção de café desempenha um papel crucial na melhoria das práticas sustentáveis. Tizita destaca a plataforma Champer da Yara, que será lançada oficialmente na Specialty Coffee Expo 2024, como uma ferramenta essencial para promover a transparência na cadeia de suprimentos de café.
“A ideia por trás da plataforma Champer é melhorar a transparência”, diz ela. “Alguns agricultores estão fazendo o investimento necessário, entregando bons rendimentos e produzindo café de qualidade, enquanto outros precisam de mais apoio para mudar suas práticas. Queremos melhorar a visibilidade na cadeia de suprimentos de como os rendimentos e a qualidade estão aumentando. Bem como os principais indicadores de sustentabilidade que os comerciantes, torrefadores e consumidores querem ver.”
Tizita explica que a plataforma Champer pode ajudar os produtores a identificar e monitorar as principais áreas de desempenho. E isso vem não apenas para reduzir as emissões de carbono, mas também para melhorar a saúde do solo. A plataforma também fornece aos cafeicultores informações acionáveis, rastreia seu progresso na implementação de novas práticas e facilita a geração de relatórios para outras partes interessadas da cadeia de suprimentos.
“Como resultado dessa maior transparência, a Yara (e toda a cadeia de valor do café) pode responder a problemas no nível da fazenda e atender às necessidades dos produtores de forma mais eficaz”, diz Tizita. “Pela nossa experiência, já sabemos que uma abordagem de solução única para todos também não funciona.”

O cumprimento das metas de emissões de carbono é um esforço coletivo
Para alcançar uma verdadeira sustentabilidade, os produtores precisam participar ativamente na redução das emissões de carbono em suas fazendas. No entanto, isso requer um esforço conjunto para implementar essas mudanças de maneira eficaz. E isso que significa que todos os envolvidos na cadeia devem colaborar — e a tecnologia pode facilitar esse processo.
“OChamper da Yara tenha venha para atender às necessidades de outros agentes da cadeia de valor (principalmente torrefadores). No entanto, o sucesso da plataforma depende, em última análise, da mobilização de toda a indústria”, observa João. “Isso inclui agricultores, cooperativas, ONGs, distribuidores de insumos, reguladores, organismos de certificação, comerciantes e agências de pesquisa e desenvolvimento, bem como outras partes interessadas.”
Com a crescente demanda dos consumidores por café cultivado de forma sustentável, uma melhor rastreabilidade e transparência sobre como os produtores estão minimizando seu impacto ambiental beneficiam toda a indústria.
“Além de capturar e compartilhar dados sobre indicadores de produção e sustentabilidade, a Champer fornece insights acionáveis para melhorar ainda mais as práticas agrícolas regenerativas. Como resultado, podemos ajudar a construir relacionamentos de longo prazo ancorados em uma base de conhecimento aprofundada entre agricultores comprometidos e outras partes interessadas”. É o que diz João.
Capacitar os produtores para tomar decisões informadas
Reduzir as emissões de carbono nas fazendas de café algo complexo, e é por isso que é vital fornecer apoio de comerciantes, agrônomos, torrefadores e outros atores da cadeia de suprimentos aos produtores. No entanto, eles também precisam se capacitar com o conhecimento, as habilidades e a percepção necessários para tomar decisões apopriadas.
Miguel destaca que a Champer coloca um foco significativo na saúde do solo — um dos aspectos mais críticos da agricultura regenerativa. É por isso que a nova plataforma permite que os usuários acompanhem o progresso dos principais indicadores de saúde do solo. E com isso capacitem os produtores a otimizar o manejo nutricional e monitorar melhorias.
Além disso, ele explica que a plataforma captura e gera insights acionáveis para uma série de outras variáveis, incluindo insumos e rendimentos de fertilizantes. Com isso os produtores podem tomar decisões mais informadas sobre as áreas que precisam ser melhoradas. E assim atingir suas metas de emissões — e, possivelmente, melhorar a lucratividade.

A crise climática já está deixando sua marca na produção de café, tornando a necessidade de mitigar e se adaptar a esses desafios mais crucial do que nunca. Sendo assim, redução das emissões de carbono e transição para a agricultura regenerativa são essenciais.
Melhorar o acesso dos produtores à tecnologia seja fundamental para que a indústria do café atinja suas metas de emissões de carbono. E igualmente importante é as partes interessadas da cadeia se unirem e trabalharem coletivamente. Só assim esses esforços poderão ser o mais eficazes possível.
Gostou? Então leia nosso artigo explorando a agricultura regenerativa na produção de café.
Créditos das Fotos: Yara Colombia, Yara Mexico, Joao Moraes
Tradução: Daniela Melfi.
PDG Brasil
Observação: a Yara é patrocinadora do Perfect Daily Grind.
Quer ler mais artigos como este? Cadastrar-se para nossa newsletter!



