17 de junho de 2024

Tipos de poda e seu impacto nos ciclos de produção do café

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Os tipos de poda são fundamentais para os ciclos de produção do café, afetando diretamente a longevidade e a produtividade das plantas. Em sistemas empresariais, como os praticados no Brasil, são usadas podas escalonadas para renovar os tecidos das plantas, enquanto pequenos produtores enfrentam desafios diferentes.

Nos sistemas empresariais, a poda escalonada é feita quando os cafezais estão na fase descendente de seu ciclo produtivo. Já para pequenos produtores, uma poda tão drástica significaria três anos sem renda até as plantas voltarem a produzir. O tempo e a produtividade mostram que, para alcançar o primeiro ano de produção, as plantas precisam de três anos de crescimento. Esse período é mais longo em variedades arábicas, podendo atingir até 70% ou mais.

Nos cafeeiros híbridos, como Parainema, Ihcafe 90 ou Lempira, o pico de produção é alcançado no quinto ano. Para essas variedades, foram introduzidos sistemas de poda em diferentes alturas para manter a produtividade e regenerar os tecidos em 17 meses, em vez dos três anos anteriores.

Para mais informações sobre tipos de poda e técnicas recomendadas, entrevistamos José Arnold Paz, engenheiro-agrônomo e chefe de controle de qualidade da Finca Santa Elena, e Juan Carlos Vega, gerente da empresa consultora Triple I Consulting no Equador.

Leia também: Como garantir a nutrição da lavoura de café?

O propósito da poda dos cafeeiros

Os cafeicultores precisam conhecer bem o tipo de material em suas fazendas. Com base nisso, podem avaliar, no pico da colheita, se a planta está bem folheada e se os ramos são produtivos.

O café é um capital importante para os produtores e pode ser comercializado antes mesmo da colheita, através do modelo de futuros. Em Honduras, várias técnicas de manejo de tecidos foram desenvolvidas para garantir a produtividade contínua. Arnold explica que as podas são feitas principalmente para renovar os tecidos e eliminar partes não produtivas. A escolha do tipo de poda depende da variedade de café. Se a variedade for arábica, as podas serão mais delicadas do que para híbridos.

A poda do ramo principal instrui a planta a crescer e produzir frutos. Com base na experiência dos entrevistados, apresentamos a seguir uma síntese dos tipos de poda mais comuns na cafeicultura tecnologizada.

Podas de formação

Arnold destaca que a poda de formação é sutil, já que se deve manejar a planta por eixos. Se a poda acontecer no quarto eixo, a planta para de crescer, mas continua a se desenvolver, resultando em uma planta semelhante a um bonsai. Quando a poda é no quinto eixo, a planta se desenvolve, mas não cresce, levando ao surgimento de brotações ao nível do solo, que podem afetar a qualidade do café.

Portanto, as podas de formação não devem ser realizadas sem um plano de manejo e devem estar alinhadas com a intenção do cafeicultor, seja para obter plantas menores ou para um controle contínuo.

Arnold aconselha a evitar podas antes do décimo eixo, para focar mais nos ramos produtivos do que no eixo central da planta. Isso ajuda a combater a bianualidade e promove uma produção mais estável.

O Agobio

Essa prática veio para estimular o crescimento das raízes e dos eixos. No entanto, as brotações resultantes frequentemente se transformavam em ramos produtivos, reduzindo a produtividade em até de 30 a 40%. 

A magnitude dessa perda nem sempre era fácil de quantificar, pois uma mesma planta podia ter três a quatro eixos em produção simultaneamente. Essas brotações, que se tornavam plantas produtivas, afetavam a gestão da nutrição e da produção, levando à descontinuação dessa prática em Honduras.

Juan Carlos compartilha uma experiência exitosa na Nicarágua, onde o manejo da variedade Java em quatro eixos resultou em uma produção gerenciada até o quarto ano, com alternância de eixos para garantir sustentabilidade na produção.

Podas para renovação da produção

Manejo de eixos

À medida que as plantas de café envelhecem ou atingem uma certa altura, é comum que elas se bifurquem em dois ramos a partir do mesmo eixo. No entanto, um desses ramos não é produtivo e depende da planta mãe para sustentação, o que reduz a capacidade da planta de produzir frutos.

Falando sobre o manejo em dois eixos, Arnold explica que, em Honduras, é comum plantar duas mudas no mesmo local, o que resulta em um crescimento conjunto das duas plantas, criando uma aparência de densidade e folhagem. No entanto, esse sistema apresenta um problema: quando o ramo produtivo encontra a outra planta, ele automaticamente para de crescer.

Isso significa que cada planta terá apenas ¾ do crescimento esperado, com ¼ que não desenvolve frutos. Como resultado, a produção cai cerca de 25%, o que equivale a sete libras em vez das dez ideais. Além disso, os custos de fertilização aumentam, por ser preciso fertilizar duas plantas em vez de uma.

Quando fazemos a eliminação do ápice no viveiro ocorre uma reação na qual a planta forma uma bifurcação com dois ramos. Deve-se eliminá-los com um corte feito onde a cor marrom do caule adulto termina e o verde do caule em formação começa. Isso permite a remoção dos “filhos” e instrui a planta a continuar crescendo para cima.

Quanto ao manejo de eixos, existe um debate em andamento. Juan Carlos, por exemplo, recomenda o manejo em dois eixos porque permite controlar uma parte da planta produtiva enquanto a outra está em processo de renovação. Isso garante uma colheita contínua durante os trabalhos de renovação dos tecidos e pode ser mais simples e gerenciável para pequenos e médios produtores.

Poda a um metro e cinquenta

Após uma avaliação visual, o produtor deve garantir que cada planta tenha 25 ramos principais, cada um com 25 a 30 folhas, para amadurecer aproximadamente 4,5 kg de frutos. Se a planta não estiver bem folheada, deve-se podar a uma altura de 1,50 metros, ativando a ordem genética da planta para se encher de folhas.

Poda de produção a um metro e setenta

Quanto mais herança genética de arábica o cafeeiro possui, maior será a tendência à bianualidade. Isso significa que, em um ano, o ramo principal produzirá desde o caule até quase 70% dos ramos, enquanto no ano seguinte a produção ocorrerá na parte apical, ou seja, cerca de 30% da parte externa ou final do ramo.

Devido a essa alternância na produção, os produtores frequentemente observam que um ano é bom em termos de produção e o seguinte é ruim. Para mitigar esse padrão, recomenda-se alterar a altura da poda. Ao realizá-la a 1,70 metros, a planta recebe a instrução genética para alongar-se.

Dessa forma, é possível interromper seu desenvolvimento vertical, estimulando o crescimento lateral. Isso promove o desenvolvimento dos ramos secundários e terciários. Com esse crescimento, o ramo principal recebe mais luz solar, suporta mais peso e, o mais importante, os 30% de produção esperados pela bianualidade se compensam com os ramos da parte apical.

Outros tipos de poda

  • Ventaneo: Essa poda ajuda na aeração da planta, melhorando a respiração e a transpiração. Estimula o crescimento de ramos secundários e terciários, aumentando a produção. Juan Carlos recomenda essa prática para pequenos e médios produtores, apesar do manejo manual difícil de mecanizar.
  • Poda rock and roll: Este método envolve cortar o caule da planta entre 76 e 90 centímetros do nível do solo, deixando os ramos e brotos abaixo do corte. A altura do corte depende do estado de deterioração da planta.
  • Poda de esqueletamento:  Consiste na eliminação de todos os ramos primários a uma distância de 10 a 15 centímetros da base do caule principal. Em seguida, permite-se que todos os brotos que se formarem nos ramos se desenvolvam. O novo crescimento levará 19 meses para se tornar produtivo. É importante deixar uma porção dos ramos terminais da árvore durante a colheita de café, o que ajuda os produtores a não perderem completamente a safra.

Recomendações gerais

Para aplicar podas, o pequeno produtor deve adotar uma abordagem semelhante à do grande produtor, gerenciando os fluxos em parcelas e emulando o sistema em sua escala. O pequeno produtor deve se especializar e ser seletivo ao realizar podas por planta ou por sulco.

Por exemplo, se ele maneja 3500 plantas por bloco ou 5000 plantas por hectare, deve considerar que ¾ da fazenda deve se manter produtiva e ¼ em renovação. Dessa forma, ele conseguirá renovar o cafezal em quatro anos sem perder produção.

O manejo de tecidos se faz, às vezes, aos três anos, outras vezes aos cinco e, raramente, aos oito, dependendo da variedade e da fazenda. Portanto, é crucial conduzir as podas seletivas com critério e conhecimento.

Ambos entrevistados destacam que o manejo de eixos ainda gera muitos debates, mas concordam que o objetivo da poda tecnificada é reduzir a bianualidade produtiva do cafeeiro.

Por isso, é importante se familiarizar com a fisiologia do café e organizar-se estrategicamente para coordenar as épocas do ano e interpretar as necessidades de poda em cada variedade. Todo esse conhecimento, muitas vezes, chega até o produtor por tentativa e erro, até desenvolver o discernimento específico ao longo do tempo e da prática, mas sem dúvida, vale a pena.

Gostou deste artigo? Então leia sobre Como calcular a produção anual do cafeeiro.

Créditos das imagens: Tripe I Consulting, Finca Santa Elena, Francisco Enriquez, IHCAFE.

PDG Brasil

Traduzido por Ana Mercedes Fernández

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